Doutor em computação pela University of Kent at Canterbury EUA; professor titular de Engenharia de Software do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); e cientista-chefe do C.E.S.A.R.
O homo sapiens busca a vida; de bem mais de uma forma, nossas ações são orientadas à sobrevivência pessoal e da espécie. Mas isso todos os animais fazem e, aqui, nossa diferença em relação às outras espécies é debatível. Mas quando olhamos a vida sob a ótica do conhecimento e dos processos relacionados ao seu ciclo de vida, desde captura e criação até terminação, somos únicos, capazes de entender e modificar, profundamente e em escala, os modos de interação e integração com o mundo. Vivemos de histórias e planos, das possibilidades do agora, do (e no) real e virtual, feitos de (e por) conhecimento, ao nosso redor. Maturana e Varela já diziam que “a vida é um processo de conhecimento”.
O mundo dos negócios tem o conhecimento como processo essencial e recurso mais imprescindível para sermos eficazes, efetivos e relevantes no ambiente de competição. Mais do que terras, capital e trabalho, conhecimento passou a ser condição sine qua non para evolução, frente a inumeráveis ciclos de mudança; ao mesmo tempo, é o passaporte para as possibilidades de sucesso.
Não bastassem tais alertas para a urgência pessoal de uma vida de “conhecimento em evolução”, nas organizações tudo é mais crítico, pois organização, hoje, quer dizer “conhecimento coletivo”. Mas, em muitas empresas... 1) não se dá conta dos benefícios do uso intensivo de conhecimento; ou 2) há consciência dos benefícios, mas conhecimento está desacoplado dos processos e métodos e não há métricas para aferir os resultados; ou 3) há consciência, sabe-se como incluir conhecimento nos processos e métodos, mas não se identificou o ferramental necessário; finalmente; 4) há resistências para sair do lugar comum e de ser “os primeiros”.
Empresas sob influência do primeiro sintoma são mais susceptíveis a oscilações de mercado, demitem ao menor sinal de crise e correm sério risco de ter vida curta. Nos outros casos, só é preciso entender que gestão e uso intensivo deconhecimento se faz por ações estruturantes que envolvem identificação, captura, disponibilização e dinâmica desse ativo de, por e para todos, em prol do compartilhamento e da contínua evolução do conhecimento (coletivo) organizacional.
Identificar quem detém conhecimento –seja ele qual for– na organização é o primeiro passo para evitar desperdício de recursos com atividades repetitivas. A partir daí, é preciso haver processos para captar e gerir tais ativos. Se alguém tentar reinventar a roda, haverá quem sinalize a perda de tempo; e quando alguém propuser melhorias na roda, será motivado e apoiado, por uma rede de pessoas que está quase sempre disposta a transcender seu “horário de trabalho” no processo. Explicitar conhecimento quase sempre permite um melhor aproveitamento dos recursos e cria um ambiente favorável para a criação de novo conhecimento.
Um dos maiores desafios das organizações, hoje, é capturar e disponibilizar o conhecimento que seus colaboradores detêm, individualmente, materializando e facilitando o seu uso pelo coletivo. Alcançado isto, a organização proporciona um ambiente de cada vez melhor qualidade e confiança para comunicação, aprimoramento, motivação e inovação, tendendo a atingir resultados cada vez mais consistentes.
Considerando que toda organização é um microcosmo social, formado por indivíduos que pertencem a comunidades interrelacionadas de histórias contadas, lidas, ouvidas, comentadas e interpretadas, as redes de relacionamento do espaço virtual são fortes candidatas a infraestrutura de gestão de conhecimento corporativo, servindo como mecanismo essencial de explicitação e interligação do conhecimento tácito. Em tais redes e suas aplicações, é possivel identificar, capturar, disseminar e dinamizar conhecimento, varrendo toda a espiral de Nonaka e Takeuchi ( ver imagem ).
As tecnologias de colaboração da web, apoiadas por inteligência artificial, são capazes de criar ambientes onde a gestão do conhecimento acontece de uma forma simples, livre, intuitiva e informal.
O C.E.S.A.R (e seus clientes e parceiros) utiliza um ambiente multimídia para interação de grupos sociais (A.M.I.G.O.S, desenvolvido pelo próprio C.E.S.A.R), com resultados muito bons no que toca à formação de redes institucionais e gestão e evolução do conhecimento corporativo.
Nós achamos que as empresas que estão adotando redes sociais corporativas onde é possível criar, armazenar, indexar, recomendar, classificar e difundir conhecimento coletivo de modo informal, desestruturado e plano, estão criando um caminho mais espontâneo e contínuo de relacionamento, ação e capacitação de seus colaboradores. Há boas evidências, suportadas por estudos formais, de que se economiza tempo na busca por informação, mas não só: o que se acha é de melhor qualidade, está conectado a pessoas, processos, projetos e métodos dentro da organização, levando a uma melhoria do desempenho pessoal, aproximação e colaboração entre indivíduos e grupos, aumento da confiança e da motivação e a uma constante melhoria e adaptação nos fluxos e processos de trabalho.
Tecnologias da informação e comunicação estão a nosso dispor para fazermos mais com menos. Ninguém concebe uma empresa, hoje, controlada “por papel”. Ao mesmo tempo, em plena economia do conhecimento, ainda estamos no estágio em que o ativo mais valioso de qualquer negócio, o conhecimento coletivo, fica meio que “prá lá”: cerca de 80% do conhecimento corporativo, a essência da vida das empresas, não está registrada em qualquer dos seus sistemas de informação clássicos. Reside, única e somente, nas pessoas e nos relacionamentos entre elas, deixados à margem pela maioria dos negócios. É esta maioria que precisa mudar, pra viver: agora e depois, quem viver, nos negócios, terá encontrado uma forma eficaz de gerir seu conhecimento coletivo. E redes sociais corporativas são parte essencial da infraestrutura para o futuro do conhecimento – e da vida nas corporações.