A conceito de sustentabilidade teve origem em problemas ambientais. Há três décadas, os países desenvolvidos descobriram que suas reservas naturais e energéticas já estavam chegando ao fim. De acordo com o coordenador da Ecolatina e diretor do Ietec, Ronaldo Gusmão, naquele momento, as organizações passaram a se questionar se a regra do "vale tudo" realmente compensava.
A resposta foi a inclusão da preocupação ambiental no cenário corporativo. Na fase seguinte, a questão social também ganhou espaço, visto que as organizações devem se relacionar com a natureza e também com as comunidades interna e externa. "A quarta dimensão é resultado da elevação do nível de informação que as pessoas recebem atualmente. Hoje, trabalho escravo ou infantil, entre outros tantos problemas que já foram considerados soluções pelo ambiente corporativo, já não são aceitos pela sociedade", enfatizou.
No cenário atual, o valor da marca, a instalação de uma planta, a venda de um produto ou serviço passam de forma obrigatória pela imagem que a companhia tem junto aos diversos públicos com os quais se relaciona. "Hoje, as empresas precisam da licença da sociedade para operar. Não adianta dizer que vai gerar empregos se vai poluir. Uma coisa já não compensa a outra como no passado", destacou.
As soluções são locais, com resultados globais como o próprio aquecimento. Por isso, cada um dos 7 bilhões de indivíduos que residem no planeta têm a sua parcela particular de contribuição a dar, seja otimizando o uso das matrizes energéticas ou mesmo revendo velhos hábitos de consumo, dentro de casa e nos seus ambientes de trabalho e lazer. Mais uma vez, as empresas têm sido convidadas a formar gestores e profissionais que pensem de forma sustentável e, ainda, adotem medidas para reduzir os impactos gerados.
Com essa abordagem, até o conceito de mundo vai mudar de plano e infinito na concepção tradicional, para esférico e finito, segundo a economia 2.0. "Sustentabilidade não é coisa do futuro. coisa para planejar e executar hoje", recomendou o dirigente.
Preparo - Apesar das estatísticas alarmantes sobre os danos causados ao meio ambiente, a esfera pública e também a maioria das organizações não possuem planos de contingência para o futuro. De acordo com a consultora do Idort-SP, Jorgete Leite Lemos, infelizmente, sustentabilidade ainda é aquele tipo de tema que ainda não merece uma análise de risco por parte das empresas. "Os gestores preferem apostar na velha regra de deixar como está para ver como é que fica", ressaltou.
Ao manter essa cultura, o fator risco ganha mais força. E os danos, além de atingirem o meio ambiente, afetam a sociedade e a própria empresa. "Nenhuma empresa quer chegar ao fim, mas organizações predadoras não se sustentam mais", lembrou.
Para atender às necessidades do próprio mercado, as companhias têm adotado os princípios de governança corporativa. Entre eles, transparência nas relações com diversos públicos, o que pressupõe que já não há mais espaço para falar de um jeito e agir de outro. A consultora reconheceu que não é fácil interiorizar os valores do discurso mas que o exemplo prático é fundamental dentro das organizações.
MPEs - Ao contrário do que se pensa, sustentabilidade não é indicado apenas para as empresas de atuação global. Micro e pequenos negócios, já nos seus primeiros anos de existência, também podem ser geridos a partir desse conceito. Segundo o diretor técnico do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae-MG), Luiz Márcio Pereira, cada vez mais as entidades setoriais têm criado selos de reconhecimento para as companhias associadas como forma de torná-las mais atraentes para o mercado consumidor e competitivas.
Mas uma empresa já pode nascer sustentável desde que o seu gestor assim o queira. De acordo com o dirigente esse é, inclusive, o caminho mais fácil para se apresentar ao mercado e, ainda, para conquistar clientes fiéis. A estratégia também garante maior rentabilidade. Um exemplo é a gestão dos resíduos gerados durante o processo produtivo. Na fase seguinte, a companhia também atua para que o consumidor não transforme em lixo a parte não utilizável do produto/serviço ou que dê a destinação correta para esse material. Sem dúvida, é um processo de aprendizado que parte das organizações e contamina positivamente a população.