Reduzir custos nunca foi tão importante como agora. Em um cenário econômico marcado por incertezas, a redução eficiente de custos é pré-requisito para a sobrevivência das empresas. Portanto, nada é mais imprescindível do que um novo posicionamento da organização diante de seus recursos materiais, financeiros e humanos.
O conceito de produção mais limpa é uma das bases desta nova atitude empresarial. Ao incorporá-la a sua cultura, a empresa não ganha apenas em marketing social ou no cumprimento da lei. Ganha em redução de custos, em lucratividade.
Produção Mais Limpa significa a aplicação contínua de uma estratégia econômica, ambiental e tecnológica integrada aos processos e produtos, a fim de aumentar a eficiência no uso de matérias-primas, água e energia, através da não geração, minimização ou reciclagem de resíduos gerados, com benefícios ambientais e econômicos para os processos produtivos.
“A pressão do mercado e dos consumidores vem motivando as empresas a criar diferenciais competitivos concretos relacionados à sustentabilidade dos negócios”, afirma o engenheiro civil e responsável técnico da CP Solutions, Luiz Ignácio de Andrade.
“Empresas precisarão adotar de forma mais efetiva e profunda os conceitos relacionados à sustentabilidade e à ecoeficiência não só nos processos, mas como características relacionadas ao próprio negócio”, afirma Andrade, que também é coordenador dos cursos de pós-graduação da área de Meio Ambiente do Ietec.
O aumento da vantagem econômica e competitiva da empresa, a racionalização no uso de insumos e a redução do desperdício são algumas das principais vantagens da adoção da produção mais limpa em uma empresa.
Segundo a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), a implantação de uma produção mais limpa proporciona uma economia de 25% de energia e de 30% de água nos processos industriais. Ou, em certos casos, uma redução de custos de seis reais para cada real investido, ainda que os resultados variem muito de acordo com o ramo da empresa.
O Brasil desperdiça US$ 40 bilhões todos os anos. No ranking do desperdício, a construção civil aparece em segundo lugar. É responsável por 33% do total de resíduos gerados no Brasil, perdendo apenas para a agricultura (35%). Empresas e profissionais ligados à construção civil querem reverter esta imagem e lançaram o Guia de Sustentabilidade na Construção, publicado pela Câmara da Indústria da Construção – CIC Fiemg.
Com foco na habitação, as informações do guia, inédito no país, foram organizadas de acordo com as fases do ciclo de vida das edificações e com os temas abordados nas principais certificações voluntárias de construção sustentável disponíveis no mundo.
O presidente da CIC Fiemg, Teodomiro Camargos, ressalta a importância da sustentabilidade na construção: “O setor demanda grande volume de recursos naturais. Nesse panorama, o guia surge para reforçar a aplicação e a disseminação do conceito de sustentabilidade, para colocar teorias em prática, trazendo para o dia-a-dia ferramentas úteis na produção de edificações”.
Para a arquiteta e instrutora do Ietec, Maeli Estrela, “é necessária uma mudança de paradigma no Brasil em relação ao uso de uma produção mais limpa a fim de reduzir custos e preservar o meio ambiente”.
Esta é também a opinião do coordenador de emergências ambientais da AngloGold Ashanti, Heli Reis. “Hoje, uma empresa que não adotar sustentabilidade como meta estará fora do mercado. O que era motivo de descaso no passado agora é encarado como oportunidade de crescimento para empresas e de novas possibilidades de lucratividade. Este é o futuro. Um caminho sem volta”.