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Processos

Produção mais limpa

Dângelle Makelle de Oliveira

Químico, pós-graduado em Engenharia Ambiental Integrada pelo IETEC

A hegemonia capitalista e o decorrente aumento do consumo, aliados à grande intervenção do homem nos processos naturais, na busca da produção mais rápida e barata, levaram a sociedade a graves problemas ambientais tais como fortes mudanças climáticas, aparecimento de novas doenças e aumento das condições de miséria e desigualdade social.

Em contra partida, o mundo tem presenciado a chamada "onda verde" protagonizada por diversos setores da sociedade, tais como político, intelectual, não-governamental (ONG's) e privado. Esse movimento ecológico tem conseguido alguns avanços, tendo inclusive, culminado em grandes encontros mundiais, envolvendo diversas nações, como por exemplo a Rio+10 realizada em 2002 em Johannesburgo, que, segundo alguns especialistas tem apresentado resultados pouco expressivos, devido à resistência de alguns países desenvolvidos. Os interesses almejados nesse grande movimento verde, apresenta razões ainda difusas, tais como aumento de poder, conquista de novos mercados associada a novas fontes de obtenção de lucro e promoção do bem estar da humanidade.

Segundo o físico austríaco Fritjof Capra, uma possível saída para o mal que aflige a humanidade pode estar numa mudança de paradigmas, que traga uma profunda mudança de valores, percepções e pensamentos que formam uma determinada visão da realidade. Faz-se necessária uma visão holística sobre o todo em busca de processos cíclicos que sejam menos agressivos e que estejam mais comprometidos com o meio ambiente, ou seja, busquem a sustentabilidade e sejam ecoeficientes.

Baseado no princípio do desenvolvimento sustentável e na necessidade da busca de soluções definitivas para o problema da poluição ambiental sem onerar a produção, nasceu uma nova estratégia de produção industrial, a Produção Mais Limpa (P+L), que teve como marco inicial campanhas ambientalistas do Greenpeace na década de 80, que floresceram com atividades da UNIDO (Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento industrial) e da UNEP (Programa das Nações Unidas para O Meio Ambiente), os quais deram origem à instalação de vários centros em países em desenvolvimento. No Brasil, o CNTL (Centro Nacional de Tecnologias Limpas) está localizado, desde 1995, na Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul – FlERGS, junto ao SENAI-RS.

A P+L tem como mola mestra a não-geração, redução ou reciclagem de resíduos, reduzindo o desperdício de recursos naturais, energia e matéria-prima. No setor produtivo tradicional, são utilizadas as técnicas comumente chamadas de técnicas de fim de tubo ou "end-of-pipe", nas quais os resíduos são gerados, tratados e levados para sua disposição final. Já foi comprovado que este último modo de produção é caro e não resolve, na maioria das vezes, os problemas ambientais, uma vez que trata-se simplesmente da transferência dos resíduos de um meio físico para outro.

A implementação de um Programa de Produção Mais Limpa obedece uma série de etapas:

- Pré-avaliação;
- Capacitação e sensibilização dos profissionais da empresa;
- Elaboração de um balanço ambiental, econômico e tecnológico do processo
produtivo;
- Avaliação do balanço elaborado e identificação de oportunidades de Produção mais
Limpa;
- Priorização das oportunidades identificadas na avaliação;
- Elaboração do estudo de viabilidade econômica das prioridades;
- Estabelecimento de um Plano de Monitoramento para a fase de implantação;
- Implantação das oportunidades de Produção mais Limpa priorizadas;
- Definição dos indicadores do processo produtivo;
- Documentação dos casos de Produção mais Limpa.

A utilização da P+L traz grandes benefícios à empresa:

- Redução de custos de produção e aumento de eficiência e competitividade;
- Redução das infrações aos padrões ambientais previstos ria legislação;
- Diminuição dos riscos de acidentes ambientais;
- Melhoria das condições de saúde e de segurança do trabalhador;
- Melhoria da imagem da empresa junto a consumidores, fornecedores e poder
público;
- Ampliação da perspectivas de mercado interno e externo;
- Acesso facilitado a linhas de financiamento;
- Melhor relacionamento com os órgãos ambientais, com a mídia e com a comunidade.

Em alguns casos, medidas simples e baratas, de combate ao desperdício, aplicadas ao processo produtivo são suficientes para trazer grandes benefícios financeiros e ambientais, já em outros casos, são necessárias mudanças mais complexas.

No Brasil já existem vários casos de empresas que solucionaram os seus problemas ambientais utilizando as estratégias de P+L, tendo inclusive recuperado os seus investimentos a curto prazo. Existem também várias universidades que estabelecem parcerias com empresas e desenvolvem projetos voltados para a P+L.

Fontes:
- www.holographic. eom.br/-prj/cntl/sobre-3oque.htm (capturado em 28/01/03)
- www.vanzolini.org.br/arcas/desenvolvimento/producaolimpa/ (capturado em 28101!03)
- Capra, F.. O Ponto de Mutação; São Paulo, Cultrix, 1982.
- Geraque, E.. O Passado Brilhante do Futuro Ambiental; Gazeta Mercantil, p. 10, São Paulo, 06
de set. de 2002.

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