Pauta da Rio+20 vaza com proposta de dez metas verdes
A Rio 20 deve girar em torno de dez novos objetivos do desenvolvimento sustentável. A proposta, que é defendida pelo Brasil, está no documento de 19 páginas, que jornal britânico “The Guardian” teve acesso.
O rascunho é a primeira versão do documento que pautará o encontro a ser promovido pela ONU no Rio de Janeiro em junho, 20 anos depois da Rio 92. O negociadores tentarão, ainda, costurar um acordo de proteção aos oceanos, fortalecer uma agência ambiental, e nomear um alto comissário global para atuar como se fosse um “ombudsman”.
Ganha força a criação de medidas de redução de combustíveis fósseis e subsídios a fontes alternativas de energia.
Na Cúpula da Terra de 1992, mais de 190 chefes de Estado vieram ao Rio. Vários acordos juridicamente vinculantes foram assinados. Desta vez, o resultado será bem diferente. Os negociadores serão convidados a definir suas próprias metas e trabalhar voluntariamente para o estabelecimento de uma economia verde global, reduzir a pobreza e diminuir os níveis de consumo.
São esperados dezenas de chefes de Estado, líderes políticos e celebridades. Porém, o primeiro-ministro britânico David Cameron já declarou que não planeja vir ao Rio de Janeiro, apesar de ter prometido liderar o governo mais verde da história de seu país. Além disso, a Rio 20 foi adiada para evitar a coincidência de datas com as comemorações do jubileu de diamante da rainha da Inglaterra Elizabeth II. Inicialmente marcada para o início do mês, a cúpula está prevista agora para os dias 20 a 22 de junho.
O encontro paralelo que o Brasil está organizando, chamado de “Diálogos sobre sustentabilidade”, vem ganhando repercussão mundial. A sociedade civil será convidada a debater e a criar um documento para pressionar os negociadores oficiais.
A proposta de criar os Objetivos Globais de Desenvolvimento Sustentável (SDGs, na sigla em inglês) não deverá vigorar antes de 2015. Porém, o documento deverá cobrir áreas consideradas como prioritárias, como oceanos, alimentos, energia, água, consumo e sustentabilidade. Os SDGs não vão substituir os dez Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU, lançados em setembro de 2000.
O fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) será discutido na Rio 20, o que também é defendido pelo Brasil. Com sede em Nairobi , a agência poderá ganhar o mesmo nível de importância da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da agência para Alimentação e Agricultura (FAO).
O Subsecretário-Geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, destacou o fato de que as propostas brasileiras já têm visibilidade no primeiro rascunho.
"Acho que é muito positivo o fato de que o texto preliminar já traga ideias que são muito caras para o Brasil, que são importantes para o país. Estamos contentes com isso", afirmou Figueiredo. "É um trabalho ainda longo até a conferência. Atuamos com o Ministério do Meio Ambiente e com os outros ministérios da Comissão Nacional. A primeira rodada de debate deste texto será em Nova York, nos dias 25, 26 e 27 de janeiro".
Para Ruth Davis, assessor-chefe de política do Greenpeace britânico, a cúpula do Rio deve enfrentar duas décadas de atrasos e promessas não cumpridas em relação ao desenvolvimento sustentável.
"O rascunho cobre as questões-chave, mas também demonstra a falta de urgência em enfrentá-las. As metas para acabar com a destruição das florestas, o excesso de pesca e o fim gradual dos subsídios de energia suja, além de desenvolver energia limpa, podem ser postergadas por anos", afirmou Davis. "O Rio tem que ser mais do que um cínico encontro de líderes para falar sobre compromissos vagos com palavras vazias".
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link, obtenha a íntegra do documento.