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PLANEJAMENTO DE PARADAS DE MANUTENÇÃO

Alessandro Mota Bastos

1. Introdução
A operacionalização das unidades de uma siderúrgica tem de prever a necessidade de realizar as paradas de manutenção, que são intervenções que devem ocorrer em determinados períodos de tempos pré-definidos, cuja finalidade é a realização de uma manutenção preventiva em equipamentos ou sistemas, que não podem sofrer este tipo de intervenção quando a unidade esta em operação.
Segundo Vendrame (2005), “as paradas programadas de plantas industriais, principalmente aquelas de grande porte, são eventos marcantes em uma unidade industrial”.
Este momento pode ser entendido como um episódio atípico na vida das unidades de uma siderúrgica, que trabalha em regime contínuo, pois durante este evento temos a maximização dos riscos, no que tange aos critérios de SMS, devido à elevada concentração de mão de obra, bem como o fluxo de energias, que eram contidas durante a operação e outras que se manifestam devido às intervenções de manutenção.
Uma parada de manutenção é um evento crítico, e a sua operacionalização é composta por diversas atividades: de natureza operacional, que vai permitir a liberação e a execução dos serviços propostos; serviços de engenharia para execução dos novos projetos; atividades de manutenção realizadas por mão de obra especializada em mecânica, elétrica, instrumentação, solda ou serviços complementares, como é o caso da montagem de andaimes, uso de guindastes e outros que permitam a execução das tarefas. Contudo há outras atividades que vão criar os meios necessários, para possibilitar a execução do evento, como é o caso do armazenamento, transporte, instalações avançadas e outras que permitem a execução plena do evento.
Neste contexto, o presente trabalho vai procurar mostrar a necessidade de inserir as atividades de logística ou suporte operacional ao planejamento da parada de manutenção. Permitindo desse modo, a operacionalização desses serviços, de modo seguro para os colaboradores, meio ambiente, a integridade dos equipamentos, bem como permitir que os objetivos traçados no evento, no que tange escopo, prazo, custo e qualidade sejam alcançados.                      
 
2. Revisão da Literatura
Segundo Vendrame (2005), “no contexto das paradas programadas, a palavra sucesso é empregada quando se quer exprimir que foi alcançada alguma coisa que se desejava, que foi planejada – ou seja, a entrega da parada no prazo certo, dentro do orçamento, e adequada estratégia ou operacionalmente à missão, aos objetivos e metas da empresa”.
Sendo assim, o sucesso só será atingido se o planejamento de infra-estrutura fizer parte do planejamento da parada, não podendo ser visto como um evento adicional ou complementar.
Theobald e Lima (2006) enfatizam que “a busca pela excelência na gestão de SMS, passou a ser uma meta estratégica para as empresas que pretendem garantir a sua participação no mercado”, pois a competitividade tem aumentado, tendo em vista as inúmeras exigências legais e também pela pressão que a sociedade exerce cada vez mais, principalmente no que se refere às empresas que atuam no ramo siderúrgico, onde o risco é muito alto.
O mundo moderno, principalmente após o advento da globalização, vem determinando que as empresas busquem excelência empresarial. Fazendo com essas organizações venham a romper paradigmas, o que leva a uma forma ousada de gerenciar e realizar, ou seja, conforme preconiza Pinto e Lafraia (2002) “pensar e agir estrategicamente”.
O histórico de outros eventos dessa natureza demonstrou que a não observância ou a baixa relevância das atividades de logísticas durante as paradas de manutenção comprometeram os resultados esperados, quer seja no que se refere aos prazos, aos custos ou a satisfação dos envolvidos. Em alguns casos, podem até comprometer os requisitos legais, que podem trazer conseqüências indesejáveis, inclusive para a imagem da organização.
Com isto, durante a fase de planejamento a equipe procurou estar alinhada com todos os envolvidos para que as interfaces fossem sanadas ou minimizadas, permitindo a operacionalização plena do evento.
 
3. Material e Métodos (ou Desenvolvimento)
As paradas de manutenção programadas de plantas industriais ocorrem dentro de prazos bem definidos e envolvem uma grande quantidade de pessoas; equipamentos, muitos de grande porte, tendo em vista a magnitude dos equipamentos utilizados no processo.
A materialização desses eventos é feita com base num processo de gestão, que são iniciados muitos meses de antecedência, ao evento, bem como permeiam durante o evento e após a realização do mesmo. Esse processo visa colocar os recursos apropriados, no tempo exato, propiciando a execução correta do trabalho, que foi priorizado, frente à continuidade operacional e questões relativas à SMS.
O processo de gestão de paradas é feito dentro de uma sistemática definida na figura 1 abaixo, que demonstra as diversas fases que tem de ser cumpridas para que o sucesso desejado seja conseguido.
 
Figura 1 – Fases do planejamento de paradas

 

Na fase de planejamento as informações e os dados são processados e organizados para formar um macro planejamento o qual fornece a dimensão da parada. É nessa fase que tem de ser iniciado o planejamento de SMS e o detalhamento das manobras operacionais, buscando o reconhecimento dos riscos, a análise e a identificação das medidas de controle para os riscos evidenciados, bem como os planos de contingências para o evento.

A evolução do macro planejamento para o micro detalhado permite a consolidação dos diversos planejamentos. São confirmados os prazos e os custos previstos e iniciada a contratação para execução dos diversos serviços, bem como das atividades meio que darão suporte a execução da parada, tais como os serviços de infra-estrutura.

A fase de execução da pré-parada pode ser vista como aquela onde é feita: a verificação final das ações previstas no planejamento de parada; criar meios para execução dos serviços, que estão previstos para a parada; a execução dos serviços previstos para essa fase; a consolidação e validação dos procedimentos operacionais; o início dos treinamentos do pessoal próprio e das contratadas e também ocorre o diligenciamento dos materiais.

A fase denominada parada pode ser entendida como a realização do evento em toda a sua plenitude. Requer um grande envolvimento de toda a equipe, para que os objetivos traçados e o resultado desejado sejam alcançados. Portanto necessita de acompanhamento constante, o que permite o redirecionamento de ações ou redimensionamento dos recursos, caso seja necessário. Além de uma parceria muito estreita entre os segmentos de operação, manutenção e engenharia, que tem de ser comprometidos, para que os valores de SMS, prazos, custos e a qualidade desejada dos serviços sejam alcançados, o que permitirá o retorno do processo produtivo.

A fase denominada pós-parada é aquela que ocorre após as fases de condicionamento e partida e consequentemente do retorno produtivo.

 

4. Resultados e Discussão

De acordo com dados de paradas de manutenção no ano de 2010 temos a seguinte tabela, onde podemos ver a evolução dos resultados entre o 1º semestre e o 2º semestre, devido ao planejamento bem elaborado envolvendo todas as equipes envolvidas desde o planejamento, execução até o encerramento.

2010

Paradas entregues no prazo

Paradas entregues fora do prazo

Hh aproximado por parada (previsto)

1º semestre

76%

24%

18500

2º semestre

95%

5%

18500

            Com este dados podemos concluir que o custo da parada também diminuiu, pois com as atividades terminando no prazo certo não foi necessário gastar mais Hh, ficando assim dentro do orçamento.

 

5. Conclusões

O segmento siderúrgico apresenta algumas particularidades, tendo em vista os altos riscos tecnológicos, a complexidade, a severidade e o dinamismo dos diversos processos que compõem esse ramo industrial. Isto induz a necessidade do estreitamento das atividades produtivas aos valores de SMS. Conforme preconizam Theobald e Lima (2006) esse segmento, cada vez mais é impulsionado ao atendimento do mercado consumidor e à observância das exigências legais e ambientais da sociedade, tendo por base a adoção de uma estratégia empresarial, que visa sustentabilidade do negócio, pela formação de uma forte liga, que visa: o atendimento desse mercado; a manutenção do desempenho financeiro; a redução do risco de acidentes e impactos ao meio ambiente, permitindo desse modo a preservação dos ativos tangíveis e dos intangíveis, como é o caso da imagem da empresa.

Nesse contexto, operacionalização do planejamento da infra-estrutura, suporte operacional ou atividades de logística, que foi utilizado na parada de manutenção revelou que é um fator crítico de sucesso, a sua inobservância pode gerar sérios riscos para o desenvolvimento do evento, podendo até comprometer os pilares que foram estabelecidos para realização da referida parada de manutenção.

Igualmente a implementação do referido planejamento, dentro do cronograma previsto, tende a propiciar um clima organizacional favorável para a realização do evento, pois conforme preceitua Theobald e Lima (2006) a “implementação de ações que visam à melhoria do rendimento humano tem sido considerada fundamental para o desempenho das organizações que buscam a excelência, como forma de obtenção da sustentabilidade dos negócios”.

 

6. Bibliografia

PINTO, Alan Kardec; LAFRAIA, João Ricardo Barusso. Gestão estratégica e confiabilidade.

Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002.

 

THEOBALD, R.; Lima, G. B. A. A excelência em gestão de SMS: uma abordagem orientada para os fatores humanos. Revista Eletrônica Sistemas & Gestão, Niterói, RJ, v. 2, n.1, p.50-64, 2006

 

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