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Arildo Rodrigues

Lugar de Mulher é na manutenção

Ao longo de minha carreira profissional de mais de três décadas, prestando serviços na gestão e operacionalização de atividades industriais nos mais diversos segmentos do mercado, tenho percebido o aumento significativo da força feminina em ambientes, atividades e funções, até então tidas como, exclusivamente, masculinas.

Gerir bem equipes sempre foi uma tarefa determinante para o sucesso das atividades em qualquer área.  Na manutenção, isso passou a ter uma nova visão, pois, as organizações estão mais focadas em eliminação de desperdícios, no aumento da produtividade, na competitividade e na lucratividade e, é claro, isso somente será obtido com a participação efetiva da manutenção e a capacitação de seus colaboradores: líderes, coordenadores, supervisores, gerentes e outros profissionais da área.

Além do conhecimento específico, é notória a necessidade de capacitação em técnicas de liderança para todos os postulantes aos vários níveis hierárquicos dentro da manutenção, tanto para os homens quanto para as mulheres, afinal, o único e robusto caminho para uma carreira bem-sucedida é o da capacitação.

As atividades de manutenção estão migrando para técnicas cientificamente comprovadas e que exigem, muito além do conhecimento técnico, a sensibilidade na operacionalização e na gestão, bem como para realizar análises criticas. É o caso da aplicação das análises de falhas, das manutenções preditivas (ferrografia, termografia e outros ensaios laboratoriais específicos), da MCC – Manutenção Centrada em Confiabilidade, do TPM – Manutenção Produtiva Total, dentre outros.

São várias técnicas e atividades que demandam da sensibilidade, do foco total, do pensamento concatenado, para obter resultados mais rápidos e precisos e as mulheres possuem essas características em grau mais avantajado em relação aos homens.

Entretanto, o que mais chama a minha atenção é esse “atrevimento profissional” das mulheres, que as impulsiona para atuar na área da manutenção. São mulheres comuns e, dentre elas, temos as vaidosas, que cuidam dos cabelos em salões especializados, as que praticam os mais variados tipos de dança e esportes, as que cuidam da família, da casa, da escola dos filhos, porém, elas não têm medo de colocar a “mão na graxa”.

São profissionais que já atuam ou desejam atuar nessa área e buscam mais conhecimento, capacitação técnica e melhores formas para gerir pessoas. Além disso, almejam reconhecimento e salários melhores, já que, geralmente, elas recebem salários menores que os profissionais do sexo masculino que desenvolvem as mesmas atividades.

Além da capacidade de serem mais detalhistas, de fortalecerem o trabalho em equipe, de focar na resolução de problemas, de sua pró-atividade e vontade para encarar novos desafios, as mulheres possuem, também, um aguçado instinto administrativo / financeiro. Por isso, muitas empresas estão voltadas para “captar esse novo negócio”, porém, infelizmente, o número de mulheres capacitadas para atuar nas tarefas de gestão e engenharia da manutenção ainda é pequeno, diante das necessidades e grande demanda dessas empresas.

Áreas como a da aviação civil, militar, agronegócio, mineração, tecnologia da Informação, e outras, já possuem, há bastante tempo, mulheres atuando, com maestria, nessas atividades. Organizações de vários outros setores também já descobriram esse filão de vantagens e estão investindo na busca dessas profissionais.

Há, porém, áreas de resistência à presença de mulheres. A área de manutenção é uma delas. A ausência do sexo feminino neste importante setor produtivo é prejudicial às empresas. Por quê? Porque, como dito anteriormente, as mulheres possuem características que podem agregar valor à este trabalho. É o caso da manutenção sensitiva, que usa os cinco sentidos como ferramenta de avaliação, técnica que tem se demonstrado eficaz nas empresas que a adotaram.

O mundo mudou. As mulheres estão enfrentando, sem medo, um mercado onde os homens eram, até então, donos absolutos das atividades dessa área.

Sejam muito bem vindas Mulheres

Se cuidem “Marmanjos”!

 

*Arildo Rodrigues (Professor / Coordenador Técnico do curso de Pós Graduação em Engenharia de Manutenção do Ietec)