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Diversidade de Gênero no Ambiente Empresarial

O tema da igualdade de gênero está na pauta do dia. É essencial discutir sobre o papel da mulher na sociedade e as desigualdades atreladas às questões de gênero. Precisamos certamente fazer essa análise de forma embasada. Sabe-se que as mulheres são maioria da população brasileira – 51,4% (IBGE, 2013) – e sua participação na população economicamente ativa (PEA) foi 46,1% em 2011 (IBGE, 2012). Apesar disso, 53% das empresas brasileiras não possuem mulheres em cargos de liderança (International Busuness Report – Women in Business 2016), e o salário das mulheres é, em média, 33% menor que o dos homens (Caged 2015).

É muito importante discutir e pensar as razões para tais disparidades, mas nesse momento, vamos tratar sobre porque é essencial para as empresas mudar essa realidade e passar a observar a diversidade de gênero, inclusive e, sobretudo, nos cargos mais elevados e na composição de sua diretoria. Para tanto, é essencial lembrar que vivemos no mundo VUCA, um acrônimo moderno que sintetiza a volatilidade (volatility), a incerteza (uncertainty), a complexidade (complexity) e a ambiguidade (ambiguity), e se aplica, certamente, no ambiente empresarial.

A Grant Thornton International Business Report de 2016, com o tema “Women in business”, constatou que as empresas que só possuem executivos do sexo masculino no Reino Unido, EUA e Índia perdem lucros potenciais de 655 bilhões. Constatou ainda que a diversidade de gênero ajuda os negócios a obter maior desempenho[1]. Não é demais lembrar que as mulheres ocupam uma parcela importante do mercado consumidor[2] que definitivamente não pode ser ignorado na hora de pensar e definir os produtos que serão produzidos e comercializados, e como eles serão divulgados. A publicidade inadequada tem um impacto negativo para a empresa[3] e atualmente tem se discutido, inclusive, a regulamentação das propagandas com previsão de aplicação de multa para aquelas que objetifiquem as mulheres[4].

Desse modo, para além de a igualdade de gênero retratar uma questão de justiça social, sendo um dos Objetivos para o Desenvolvimento sustentável definidos na Assembleia da ONU (ODS 5), no ambiente empresarial também representa geração de lucro e pode ser determinante para a sobrevivência da empresa no mundo VUCA. As grandes empresas precisam se atentar para essa questão, tornando os altos cargos mais interessantes para as mulheres, que também precisam se capacitar e se preparar para atender a essa demanda.

Polianna Pereira dos Santos

Advogada. Mestre em Direito Político pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Especialista (Pós-Graduação lato sensu) em Ciências Penais pelo Instituto de Educação Continuada na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (IEC PUC MINAS). Cofundadora do Movimento Visibilidade Feminina. Cofundadora do Instituto de Ensino Jurídico, que atua na pesquisa, ensino e aplicação de temas relevantes e sensíveis do Direito, atualmente se dedicando no enfrentamento das questões afetas à implantação do Programa de Integridade ou Compliance de diversos entes personificados. Membro-Fundadora da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Política – ABRADEP. Professora de Pós Graduação em Direito Eleitoral na PucMinas, ESA-OABMG, IDDE e CAD. Autora do livro “Voto e Qualidade da Democracia: As distorções do Sistema Proporcional Brasileiro” e de  diversos artigos. Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/4179420034009072.