Prontos para a competição - Jornal Hoje em Dia - 29/06/06
Fábio Santos
Repórter

Desde os tempos mais remotos os homens competem. Seja pela sobrevivência, território ou comida. O ser humano se armou de paus, pedras, fogo, sempre buscando vantagem, segurança e satisfação. Se no mundo empresarial as organizações continuam matando ’leões’ em nome da sua fatia de mercado, a globalização tornou essa disputa mais difícil. Com a padronização dos processos de produção e a conseqüente comoditização, a solução é sair das cavernas da excelência em processos produtivos, largar as ferramentas e se armar com investimentos em capital humano, a pólvora da competitividade do século XXI. ‘Apresentar qualidade, hoje, é uma obrigação de qualquer empresa. Os preços da matéria-prima e do produto final são decididos pelo mercado. O capital intelectual é a única possibilidade de diferenciação‘, afirma o Gerente de Educação Corporativa do Centro Universitário Newton Paiva, Aroldo dos Santos.

Deixando para trás a alegoria da diferenciação pelas características do produto ou serviço, cada vez mais empresas estão capacitando a prata da casa e formando funcionários especialistas em determinadas facetas do negócio e abrir fogo contra a concorrência. Em contrapartida, instituições de ensino passam a customizar cursos em nome da competitividade de seus clientes. Gestão de Projetos, Tecnologia da Informação, Mineração, Responsabilidade Social, Qualidade de Processos, entre outros, são temas de cursos oferecidos pelas escolas para armar o capital intelectual do mercado.

Segundo levantamento do Instituto de Educação Tecnológica (Ietec), 24% dos alunos dos 10 cursos de pós-graduação são pagos pela empresa. De acordo com o diretor do Ietec, Ronaldo Gusmão, as empresas querem direcionar cada vez mais o seu foco e precisam de profissionais especializados. ‘É por isso que investem na qualificação, para tornar a gestão mais eficiente e economizar custos‘, afirma Gusmão. O Ietec treina profissionais de diversas empresas, tais quais Usiminas, Bank Boston, Gerdau Açominas, Tim, Companhia Vale do Rio Doce, Cemig, Petrobrás, V&M (ex-Mannesmann).

Os cursos oferecidos para empresas acontecem em duas modalidades: os abertos, em que as vagas são preenchidas por profissionais de várias empresas; e os fechados, modelo que empresas contratam cursos com exclusividade. ‘As duas modalidades apresentam vantagens para a empresa. No caso dos cursos abertos, existe troca de experiências entre os funcionários de empresas diferentes e isso é bastante enriquecedor. Quando a empresa tem condições e contrata um curso fechado, ela tem a oportunidade de desenvolver um trabalho voltado para um problema ou objetivo específico‘, avalia Aroldo dos Santos.

A generalidade dos cursos de graduação é desarmada no instante em que o profissional precisa enfrentar problemas específicos no front da competitividade. Para Aroldo dos Santos, a customização da educação corporativa vem para diminuir a trincheira entre a formação que o profissional recebe no curso de graduação e as exigências que as empresas apresentam para superar seus obstáculos. ‘Ao mesmo tempo que que esses cursos oferecem uma oportunidade de profissionalização e atualização do funcionário, ele alinha o conhecimento aos objetivos do negócio‘, afirma. A conquista por territórios no mercado, fruto de uma batalha constante, exige conhecimento. Por isso, a educação precisa ser continuada. ‘Nos último cinco anos temos observado o crescimento das universidades corporativas. Isso desencadeou uma onda de investimentos em especialização. Ninguém quer ficar para trás,‘ observa Santos.

Empresas têm opções de capacitação

A Rio Paracatu Mineração (RPM) é uma empresa que prepara seu capital humano, contratando cursos fechados antes de implantar grandes projetos. ‘Encontramos uma situação em que, num espaço curto de tempo, precisávamos nivelar o conhecimento da equipe, cerca de 30 profissionais de várias áreas da empresa envolvidos no projeto de expansão. Realizamos um curso de Gerenciamento de Projetos no Ietec preparado para atender às nossas necessidades‘, afirma o gerente geral do Projeto de Expansão III da RPM, Luís Albano Tondo, para quem, contratar um curso fechado é uma decisão que deve ser planejada para um propósito específico. ‘Procuramos um instituição respeitada, tínhamos uma intenção e estamos realizando o projeto com mais segurança. Dessa maneira, o retorno é garantido. Qualquer que seja o investimento, a relação curso benefício é positiva‘, afirma.

Para o gerente de Educação Corporativa do Centro Universitário Newton Paiva, Aroldo dos Santos, contratar um curso corporativo pode chegar a um valor 30% menor do que realizar um curso aberto. ‘No momento de negociar com o contratante, temos garantias de não evasão e, de acordo com o número de profissionais, a margem de negociação também aumenta‘, afirma. Os cursos oferecidos pela Newton Paiva têm duração variada: de 16 horas, os menores, até quatro anos os de graduação. ‘Conseguimos mais união do grupo em torno do projeto, durante as aulas já estávamos aliando teoria à prática, sempre mantendo o foco nas nossas atividades, o que impediu que caíssemos na rotina e perdêssemos o interesse‘, avalia Albano Tondo. ‘Ainda estamos em fase de análise da viabilidade do projeto de expansão, mas o conhecimento acumulado já nos permitiu produzir um manual de implementação do projeto, que vai funcionar como uma espécie de bíblia aplicado a todos os funcionários envolvidos em ações futuras‘, completa.

As micros e pequenas empresas também podem, e devem, realizar cursos e capacitar o seu capital humano. ‘Quando as empresas não têm condições de fechar um curso, mandam dois ou três funcionários para realizar cursos abertos. Outra saída é contratar cursos pro meio de associações e sindicatos ou, ainda, realizar cursos a distância. Quanto maior o volume de inscrições, mais atraente é a proposta‘, afirma Aroldo dos Santos. Segundo ele, as pequenas e médias empresas têm procurado bastante a capacitação por meio das associações. ‘Um bom exemplo são os cursos voltados para o setor supermercadista em que participam profissionais de empresas grande e pequenas, em parceria com a Associação Mineira de Supermercadistas (AMS)‘.

MOMENTO CERTO
Capacitação e o crescimento da empresa

QUANDO INVESTIR EM CAPACITAÇÃO

Situações
- Perda de posições no mercado
- Sensação de ameaça
- Intenção de crescer
- Operacionalização dispendiosa
- Pessoal não corresponde às expectativas
- Implantação de grande projeto

NA HORA DE INVESTIR EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA

Cuidados
- Tenha objetivo bem definido
- Reúna profissionais certos, envolvidos diretamente com o projeto
- Pesquise o curso que mais se encaixa com o objetivo
- Não contrate pelo custo
- Procure instituição com experiência
- Durante o curso, é importante unir teoria à prática
- Dê continuidade à capacitação
- Empresas pequenas devem se unir para contratar cursos

(Jornal Hoje em Dia - Caderno Classificados Inteligentes - 29/06/06)
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