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| A poluição do ar é a mais preocupante – Jornal O Tempo – 12/4/06 |
RONALDO GUSMÃO - Coordenador geral da 6ª Conferência Latino-americana sobre Meio Ambiente e Responsabilidade Social (Ecolatina), diretor do Instituto de Educação Tecnológica (Ietec)
O Brasil ocupa a 34ª posição – num ranking de 133 países – no índice-piloto criado para medir o desempenho ambiental das nações do planeta.
Segundo o levantamento, produzido por pesquisadores das universidades Columbia e Yale, nos Estados Unidos, o país vai relativamente bem nas áreas de saúde, água, energia e biodiversidade, mas fica devendo em relação à qualidade do ar e ao uso responsável dos recursos naturais.
A poluição do ar é mais preocupante do que muitos podem imaginar. Além de ser responsável pelas mudanças climáticas, que provoca o aquecimento do planeta, também é apontada como causadora de doenças como as cardiovasculares, de acordo com estudo da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, feito em São Paulo.
Se gases forem inalados com freqüência, podem também afetar diretamente o sistema respiratório e aumentar, assim, as chances de se desenvolver doenças pulmonares, como asma e bronquite.
E as conseqüências não param por aí: em mulheres grávidas, a poluição provoca ainda a má formação do feto, como aconteceu em Cubatão.
Na China, pesquisa realizada pela Academia de Planejamento do Meio Ambiente constatou que 400 mil pessoas morrem todos os anos, prematuramente, por causa da má qualidade do ar.
A poluição também é responsável pela redução de nascimento de meninos, de acordo com a Universidade de São Paulo (USP). A hipótese é que o cromossomo Y, que determina o sexo masculino, seja mais suscetível a mutações causadas pelos gases poluentes.
Diante de tantas conseqüências, torna-se ainda mais evidente que o aquecimento do planeta é apenas uma das preocupações que devemos ter diante dos impactos diretos que a poluição pode causar na saúde das pessoas. De acordo com o IBGE, a poluição do ar atinge 22% dos municípios.
As localidades que enfrentam o problema concentram quase metade da população, 85 milhões, e 54% dos municípios afetados estão localizados na região Sudeste.
Embora a industrialização tenha um peso forte na poluição das grandes metrópoles, as causas mais apontadas são: queimadas (64%), vias não pavimentadas (41%), atividade agropecuária, com poeira e pulverização de agrotóxicos (31%) e veículos (26%).
Nas principais capitais mundiais, há dias em que a condição do ar fica tão ruim que todos os veículos são proibidos de trafegar durante um certo período. Em muitas cidades há o rodízio de automóveis, que faz com que alguns carros fiquem em casa durante um dia.
Nos últimos anos, o Brasil tem implementado programas ambientais com o objetivo de diminuir o nível de emissões poluentes. Contudo, ainda há muito que ser feito nessa área no país. Para evitar a poluição do ar é preciso investir em meios de transporte de massa como o metrô, por exemplo.
O investimento é mais alto, claro, mas o retorno em longo prazo é qualidade de vida em todos os aspectos, já que o metrô libera menos poluentes, pode desafogar o trânsito e também acaba com a superlotação dos ônibus e torna o deslocamento mais fácil para toda a população.
Além disso, é necessário criar políticas públicas para incentivar a fabricação de carros movidos a energias renováveis, como o álcool e o biodiesel. Solução que também dá condições ao país de ter sua eficiência energética, já que a biomassa substitui o petróleo, que além de ser altamente poluente, é finito.
Ações que precisam apenas de empenho e boa vontade política dos nossos governantes e que, além de proteger o meio ambiente, deixam o ar mais puro para toda a população.
(Publicado no Jornal O Tempo – 12/4/06) |
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