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| Consumo e meio ambiente – Jornal Estado de Minas – 19/2/06 |
Ronaldo Gusmão - Engenheiro e diretor do Instituto de Educação Tecnológica (Ietec)
Atualmente, consumimos 20% a mais da capacidade de renovação do planeta. O percentual é alto e revela o quanto ainda precisamos mudar os padrões de consumo e viver em harmonia com o meio ambiente, para não extinguir os recursos naturais e comprometer a nossa e as futuras gerações. Mas além de uma mudança na postura do consumidor, que precisa se tornar mais consciente, é preciso também que as empresas estejam preparadas para oferecer produtos e serviços voltados para clientes, que estão cada vez mais exigentes e que começam a fazer escolhas baseadas também nas ações socioambientais das corporações.
Pesquisa recente, divulgada pelo Instituto Market Analyses, realizada em oito capitais brasileiras, mostra que um em cada três consumidores deixou de comprar ou pensou em deixar de comprar produtos de empresas que julgavam não praticar a responsabilidade social. Tratar os funcionários de forma justa está no topo das prioridades dos consumidores, com 26%. Logo em seguida, com 19%, vem a preservação ambiental. A pesquisa mostra também que a expectativa dos brasileiros por uma postura mais ativa e pela solução de problemas sociais cresceu cerca de 20% nos últimos três anos. No ano passado, 88% dos entrevistados pensaram em exigir uma contribuição maior das empresas em relação às questões socioambientais.
Outro estudo, realizado pelo Instituto Akatu, revela que 37% dos consumidores estão a um passo de se tornarem conscientes. Atitude que precisa ser analisada pelos empresários, já que esse número tende a crescer, graças às campanhas e o trabalho de educação ambiental realizado pelas escolas estaduais, municipais e particulares que têm elevado o grau de consciência dos consumidores.
Mas o que essa parcela de potenciais clientes esperam das empresas? A resposta é desenvolvimento sustentável, com a integração de três diferentes pilares: prosperidade econômica, justiça social e qualidade ambiental. E produzir de forma limpa, que além de atingir esse público, também traz retornos financeiros: segundo o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, esse tipo de produção devolve para a empresa R$ 4 para cada R$ 1 investido, após o primeiro ano de implantação.
Além de atitudes, é preciso também divulgar essas ações. Os consumidores reclamam que faltam informações. As prateleiras estão repletas de produtos que tentam atraí-lo de várias maneiras, mas que não trazem informações sobre como foram produzidos. Dados que poderiam estar impressos nas próprias embalagens. Assim, as empresas vão atingir oito, em cada dez consumidores, que de acordo com o Instituto Akatu, têm interesse em saber mais sobre a responsabilidade social das corporações.
Se o consumidor consciente exige e a empresa oferece, vamos conseguir diminuir o desperdício e o uso exagerado de matérias primas. Assim, em equilíbrio com o nosso planeta, conseguiremos fechar a conta que anda negativa com a natureza: onde ninguém perde e todos saímos ganhando.
(Publicado no Jornal Estado de Minas – 19/2/06) |
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