Cursos sob medida – Jornal Estado de Minas – 5/2/06
Apesar das altas taxas de desemprego, que na Grande BH atingiu 7% em dezembro do ano passado, encontrar profissionais capacitados no mercado pode ser um desafio. Uma das principais dificuldades são as exigências específicas de cada área, que podem variar de empresa para empresa. Para suprir a carência desses profissionais, muitas organizações adotam os chamados cursos in company, voltados para os funcionários da instituição e focados nas necessidades de um determinado setor.

De acordo com o diretor executivo do Instituto de Educação Tecnológica (Ietec), Ronaldo Gusmão, o mercado exige profissionais multifuncionais, que trabalham com vários assuntos diferentes. “Os cursos permitem reciclar os especialistas e torná-los mais ecléticos”, argumenta o diretor. Para ele, uma das vantagens dos cursos in company é a busca pelo formato de cada empresa.

Por meio de conversas com as organizações, é levantado um cronograma de curso que vai atender o perfil dos funcionários. “Buscamos aulas diretas, de acordo com a necessidade de determinado setor”, explica Ronaldo. As aulas incluem exemplos práticos da própria empresa para que a absorção do conteúdo seja maior. “Quando a situação é vivenciada, o aproveitamento é melhor. Assim, conseguimos resultados imediatos.”

Trabalhando com grandes empresas, o Ietec organiza cursos em diversas áreas, entre as quais projetos, gestão e responsabilidade socioambiental. Os cursos podem durar de dois dias a seis meses, dependendo da necessidade, e são ministrados dentro das empresas ou no próprio instituto.

CUSTOMIZADO

Uma das empresas que optou pelo método in company foi a Gerdau Açominas. No segundo semestre do ano passado, a siderúrgica montou turmas de planejamento, programação e controle da produção. As aulas foram dirigidas a empregados de nível técnico, que trabalham com a produção industrial. De acordo com Tânia Carrara, consultora organizacional da empresa, os cursos in company oferecem três vantagens. “O curso é customizado, com conteúdo focado na empresa. Podemos organizar horários, sem precisar deslocar funcionários. E como são grupos maiores, negociamos melhor o preço.”

Tânia acredita que os resultados de cursos internos são positivos, principalmente pela aplicabilidade. “São discutidos problemas enfrentados no dia a dia. A aprendizagem é melhor quando aproximada da realidade.” Segundo a consultora, a avaliação dos funcionários funcionários foi boa: “Eles reforçaram a teoria e tiveram a possibilidade de abrir a visão”.

O curso in company também agradou a Mauro Lúcio Costa, de 36 anos, supervisor de operações na Rio Paracatu Mineração. Ele passou a semana entre o Natal e o ano-novo assistindo a aulas, em horário integral, ministradas pelo Ietec. “O curso foi prático e terminamos a semana com um rascunho das mudanças que seriam aplicadas daqui para frente”, afirma.

A empresa passa por um processo de duplicação da produção e ofereceu o curso aos funcionários envolvidos no processo de expansão. “O projeto é muito grande e foi necessário domínio da metodologia de gerenciamento da qualidade, dos riscos, garantias etc.” Mauro explica que as aulas dentro da empresa são interessantes, já que envolvem pessoas com um mesmo nível de conhecimento e com os mesmos objetivos.

(Publicado no jornal Estado de Minas – 5/02/06)
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