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| Gestão ambiental abre campo de trabalho - Jornal Gazeta Mercantil - 9/06/05 |
São Paulo, 9 de Junho de 2005 - Profissionais com habilidades gerenciais e técnicas são procurados no mercado. Defender a preservação do meio ambiente deixou de ser tarefa apenas para ecologistas. O conceito de desenvolvimento sustentável leva cada vez mais corporações a ter profissionais dedicados a isso. Mas ainda são raros os profissionais com capacitação em gestão e com conhecimento técnico na implementação de programas de gestão ambiental. Eles são procurados, sem sucesso, por companhias com atuação em diversos segmentos da economia e por consultorias. Por isso, existem oportunidades para quem tiver interesse em desenvolver essas habilidades, que já podem ser adquiridas em MBAs e cursos de especialização.
"Há uma carência de perfis executivos capacitados para trabalhar com gestão ambiental. É comum encontrar profissionais com uma ótima bagagem técnica, mas sem experiência para assumir cargos de gestão", diz André Hirschheimer, gerente da divisão de engenharia e manu-fatura da empresa de recursos humanos Michael Page. Ele explica que hoje o profissional que lida com questões ambientais está ligado à área de produção. "Existem gerentes de segurança e meio ambiente em praticamente todos os setores da indústria, principalmente por conta da necessidade de lidar com os resíduos da produção".
Segundo Hirschheimer, é nas indústrias que tratam diretamente da extração e transformação de recursos naturais que está o principal mercado. Por conta das próprias necessidades de negócio, essas empresas constituíram verdadeiros centros de excelência de profissionais nessa área. Nas demais indústrias, no entanto, é o especialista em segurança do trabalho que atua em questões ambientais. "Esse profissional normalmente é formado em engenharia, com especialização em segurança e meio ambiente. Ele faz a gestão de técnicos que, dependendo do parque industrial, é composto por mais profissionais na área de segurança ou de meio ambiente", complementa.
Nas empresas de grande porte, a atribuição é do gerente de segurança do trabalho e meio ambiente, que responde ao gerente de planta ou diretor industrial. Nas organizações de médio e pequeno porte, o engenheiro ou coordenador de engenharia de segurança assume a função e se reporta ao gerente de qualidade ou de planta.
Outro mercado que pode ser explorado por quem tiver interesse em trilhar uma carreira executiva na área de meio ambiente é o das consultorias especializadas. Essas instituições encontram as mesmas dificuldades que as empresas para selecionar profissionais com habilidades gerenciais e técnicas. "Quando precisamos de alguém para atuar em novos projetos, acabamos contratando sempre duas pessoas. Uma com conhecimentos em gestão de projetos e outra especialista em meio ambiente. Não conheço ninguém no mercado que tenha formação completa", afirma o presidente do Instituto para o Desenvolvimento Sócio Ambiental (Idesa), que atua há sete anos no setor.
Atentas às demandas de mercado, as principais instituições de ensino do País estão organizando currículos que ofereçam conhecimentos em gestão aliados com aspectos mais técnicos das atividades relacionadas ao meio ambiente. De acordo com a coordenadora do MBA em gestão ambiental da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Susana Feichas, um terço do curso é focado em administração e dois terços na aplicação de conceitos ambientais nas empresas. "Nosso público é totalmente heterogêneo em termos de formação, experiência profissional e idade", afirma. Segundo ela, o desafio de atuar nessa área é aprender a lidar com a multidisciplinaridade.
Recentemente, a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e o Instituto de Educação Tecnológica (Ietec), ambos localizados em Minas Gerais, lançaram um MBA inédito, que especializa os profissionais em política ambiental e gestão. De acordo com o professor, Flávio Couto, da UFV, no aspecto da gestão, o participante adquire conhecimentos administrativos e no aspecto da política, acompanha toda a evolução e aplicação das legislações brasileiras e internacionais. Com isso, o objetivo é preparar os alunos para planejar a atuação de uma empresa pública ou privada, de acordo com as políticas públicas vigentes.
Ele ressalta que a busca permanente da qualidade ambiental faz parte de um processo constante de aprimoramento das organizações para competir num mercado global. Além disso, imagem de uma organização ambientalmente saudável é mais bem aceita por acionistas, consumidores, fornecedores e autoridades públicas. "Por isso, no futuro toda empresa deve ter um departamento dedicado a lidar com a preservação ambiental, mesmo que sua atividade fim não tenha nenhuma relação direta com a exploração da natureza. Assim, esse é, sem dúvida, um mercado profissional em expansão", ressalta.
Para os que desejam alçar vôos mais altos, em cargos de diretoria, por exemplo, esse ainda não é o momento. A demanda por profissionais com conhecimentos em gestão ambiental ainda não chegou aos cargos top das corporações, segunda a headhunter Lais Passarelli, da Passarelli Consultores.
O que já existe são iniciativas isoladas. O engenheiro florestal André Giacini de Freitas, por exemplo, está deixando o cargo de secretário-executivo do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) para assumir um cargo novo em uma instituição financeira estrangeira, em São Paulo. "O banco tem uma linha de crédito agrícola e quer desenvolver critérios sócio-ambientais para concessão de empréstimos", diz. Ele tem formação técnica e, depois de alguns anos, acabou assumindo funções mais estratégicas na ONG por sua experiência. A atuação como gestor foi um desafio que ele, em quatro anos de secretaria executiva, aprendeu com a prática. "Senti falta de um conhecimento gerencial mais específico, mas não tinha tempo para adquiri-lo", conta.
kicker: Hoje o profissionalque trabalha com questões ambientais está normalmente ligado à área de produção
kicker2: A busca da qualidade ambiental é parte do processo de aprimoramento das empresas para competir globalmente
(Publicado no jornal Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8 - 09/06/05) |
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