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| Gestão para reduzir custos |
Empresas da construção civil investem no conhecimento, para combater desperdício
Como condição de sobrevivência no concorrido mercado da construção civil, empresas do setor estão investindo no combate ao desperdício e adotando estratégias de gestão como ferramenta para reduzir ou manter os custos num patamar competitivo. De acordo com o professor e coordenador do curso de gestão de custos do Instituto de Educação Tecnológica (Ietec), Poueri do Carmo Mário, a demanda pelo aprendizado em gestão no setor da construção civil tem crescido muito nos últimos anos. “O setor tem uma reação muito rápida a oscilações da economia e sofreu de forma mais imediata o impacto do processo de adequação desencadeado com a crise do Plano Real", comenta. "Agora, as empresas apostam no conhecimento para retomar o equilíbrio.”
Empresas brasileiras desperdiçam cerca de 10% do faturamento bruto com custos desnecessários. Nesse contexto, Poueri diz que é preciso avaliar o que realmente pode ser cortado ou reduzido, já que o lucro resulta das variáveis custos e receita. Ele alerta que, caso os custos sejam entendidos como sacrifícios específicos para a obtenção de receitas, a redução dos gastos pode, também, diminuir o lucro. "É importante saber gastar, ou seja, reduzir desperdícios e conseguir, mesmo com uma receita constante, aumentar a lucratividade da empresa”, afirma.
De acordo com o diretor comercial da Construtora Habitare, Alexandre Soares, gerenciar os custos, evitando desperdícios, é uma das questões vitais para as construtoras. "Ao lado do atendimento ao cliente, a redução de custos é um dos fatores essenciais para a manutenção da empresa no mercado. ”Poueri destaca que a redução do custos não pode prescindir da qualidade: “A gestão minimiza os erros e desperdícios na obra, levando em conta o padrão de qualidade”.
Pesquisa realizada em canteiros de obras aponta uma perda geral de material em torno de 25%, aumentando o custo da construção de 3% a 8%. Técnicas ajudam a reduzir custos.
Desperdício encarece a obra.
Os resultados de uma pesquisa realizada por 16 universidades, com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Instituto Brasileiro de Tecnologia e Qualidade na Construção (ITQ) e Senai Nordeste, mostram que a relação de desperdício é de cinco para um, ou seja, a cada cinco edifícios construídos, um é desperdiçado. O estudo foi realizado em canteiros de obras de prédios em 12 estados brasileiros e concluiu que a perda geral de material fica em torno de 25%. Segundo os dados da pesquisa, em cada metro quadrado de obra há sete centímetros de entulho, o que representa um aumento no custo da obra de 3% a 8%.
Em 2004, o Índice Nacional da Construção Civil (INCC), calculado pelo IBGE em parceria com a Caixa Econômica Federal, registrou aumento de 10,95%.
Somente em dezembro, a alta foi de 1,08%, na comparação com o mês anterior. Nessa última avaliação, Minas contribuiu com a maior elevação do País e atingiu 4,30% devido aos reajustes salariais das categorias profissionais da construção civil.
Em dezembro, o custo nacional por metro quadrado atingiu R$ 507,70 dos quais R$ 298,26 se referem a materiais de construção e R$ 209,44 são gastos com mão-de-obra.
Ao se considerar apenas os preços dos materiais, a variação positiva de dezembro foi de 1,30%,índice abaixo dos 1,43 % constatados no mês anterior. No acumulado do ano, a alta chega a 13,94%. Em relação à mão-de-obra, seus custos ficaram 0,76% mais caros no último mês do ano, e na somatória de 2004 a inflação da categoria foi de 6,96%.
Há pelo menos três tipos característicos de desperdício combatidos pelas construtoras, segundo o diretor comercial da Habitare, Alexandre Soares. "O mais visível é resultado do retrabalho. Um operário executa o serviço e outro precisa repará-la", explica. Para minimizar esse tipo de gasto, a gestão de custos deve-se estender do canteiro de obras aos demais departamentos da empresa. “Outra forma de desperdício, combatida nos sistemas de gestão, é o administrativo, em que o mesmo serviço passa pela execução de vários funcionários. Eliminando esse problema, reduzimos os custos e evitamos que gastos desnecessários sejam passados ao preço final."
Alexandre explica que o estudo da otimização dos projetos é outro fator considerado na gestão de custos. “A análise do projeto viabiliza a adequação da obra a características peculiares do terreno, por exemplo. Isso implica na redução de custos com garantia de
mais qualidade, atinando a execução da obra", afirma. “A empresa que não gerencia seus custos, hoje, está fora do mercado.”
MELHORIAS Fazer a distinção entre desperdício e um custo necessário é uma das funções do profissional com conhecimentos na gestão de custos. Segundo o coordenador do curso ministrado pelo Instituto de Educação Tecnológica (letec) o profissional bem formado cria estratégias e táticas que proporcionam vantagens para a empresa. "Ele é responsável por identificar melhorias na aplicação de recursos de maneira eficiente para evitar desperdícios e agregar valor para o cliente, com qualidade e satisfação.”
As técnicas de gestão de custos ajudam empresários e executivos a encontrarem soluções viáveis financeiramente, e operários a identificar problemas e propor soluções De acordo com Alexandre, a Habitare investe permanentemente na qualificação dos funcionários: “A gestão começa no projeto, passa pelo trabalho nos canteiros e segue até os setores administrativos.”
Para Alexandre, o atendimento ao cliente também deve estar condicionado à gestão dos custos. "O cliente pode colaborar com a empresa, por exemplo, identificando falhas que a construtora não vai repetir em outros projetos", argumenta. "Além disso, um cliente satisfeito agrega valor ao produto" Poueri afirma ainda que "agregar valor para o cliente é o que interessa e o que realmente traz lucros para a empresa”. (GA)
Estado de Minas - 17 de fevereiro de 2005 |
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