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| Seminário Nacional Gestão de Energia - Consumidor excluído de ganhos com leilão |
Estado de Minas – 23/02/05
O brasileiro foi deixado de fora dos benefícios do leilão de energia do fim do ano passado. A afirmação é do ex-presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa, reagindo à informação dada anteontem pelo diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Jerson Kelman, de que as tarifas deverão continuar subindo acima da inflação.
Coordenador de Planejamento Energético do Coppe, instituto ligado à UFRJ e principal núcleo de pesquisa no setor energético no País, o professor Pinguelli diz que o discurso atual do governo contradiz o dito anteriormente. “O governo falou na época que o leilão teve energia vendida mais barata que o esperado pelo mercado e que o consumidor pagaria menos por causa disso. Mas o pronunciamento da Aneel agora mostra que o consumidor não está nessa festa”, afirmou Pinguelli. Ele esteve ontem em Belo Horizonte para participar do Seminário Nacional de Gestão de Energia e Competitividade, que reuniu especialistas do setor.
Segundo Pinguelli, o leilão de energia velha (produzida em hidrelétricas há anos em funciona-mento) foi negativo da forma como foi conduzido, pois nem o benefício para o consumidor ficou comprovado.“Então pouco adiantou tirar o dinheiro das companhias energéticas federais", argumentou, referindo-se ao baixo preço que foi pago pela energia ofertada.
O diretor-geral da Aneel disse que o motivo para a alta nas tarifas de energia é o aumento da tributação pelo PIS e Cofins. Contudo, especialistas apontam o índice de correção da tarifa de energia, o IGP-M, como o principal motivo. Ele está acumulado em 11,87% nos últimos 12 meses, enquanto o IPCA, índice oficial do governo, é de 7,41%.
Pinguelli afirmou que o ritmo de investimentos atuais ainda deixa espaço para uma crise de abastecimento de energia em 2007. “De fato se comparar a curva da demanda frente à oferta, há possibilidade de, a partir de 2007, ter falta de energia”, disse o coordenador do Coppe. Segundo ele, os investimentos em obras de transmissão e geração estão atrasados. A necessidade de acelerar obras após as seguidas faltas de luz no início do ano, segundo Pinguelli, mostrou que o governo reconheceu a situação.
Sobre os próximos leilões de energia previstos, Pinguelli disse que serão necessários para ajudar na oferta no País. “Está mais do que na hora”, afirmou. Segundo o professor, projetos que estão incluídos no Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia (Proinfa), como a instalação de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), são importantes, mas ainda insuficientes.
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