Seminário Nacional Gestão de Energia - O futuro é incerto
Luiz Pinguelli Rosa diz que se houver um aquecimento maior na economia o Brasil não estará preparado para atender ao consumo

Diário da Tarde – 23/02/05

O desperdício de energia, os potenciais e a diversidade de fontes de energia no País e a falta de investimentos no setor foram temas do Seminário Nacional Gestão de Energia e Competitividade, realizado ontem, em Belo Horizonte, promovido pelo Instituto de Educação Tecnológica (letec) e que reuniu autoridades no assunto.

Na abertura do evento, Luiz Pinguelli Rosa, ex-presidente da Eletrobras, coordenador de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ e secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, condenou a falta de investimentos, afirmando que o governo está inibindo os investimentos das empresas públicas do setor, “que vivem em função do superávit primário”.

Para Rosa, o setor privado deve investir, mas as Parcerias Público-Privadas (PPP), que já eram feitas no setor elétrico, não farão milagre. “As PPP são uma grande retórica. Elas já eram feitas no setor elétrico. O que ocorre é que agora foram criadas regras que reduzem os riscos da iniciativa privada. As regras, no caso, não importam. O governo tem que querer investir”, diz.

TARIFAS

Ele condena, também, os reajustes nas tarifas de energia, afirmando que o governo tem de atender aos investidores estrangeiros, que querem seus preços indexados a suas moedas, e denuncia que no último leilão de energia (energia velha), quando o preço do produto foi para baixo, criou-se uma expectativa de que esta queda seria repassada ao consumidor, o que não ocorreu.

Mas a denúncia mais séria do ex-presidente da Eletrobras refere-se à, produção. De acordo com Rosa, ao presente não há risco de falta de energia, “mas o futuro é incerto. A demanda pode crescer muito”, adverte. Ele afirma que se houver um aquecimento maior na economia, o Brasil não estará preparado para atender ao consumo.

DESPERDÍCIO

O Brasil desperdiça 15% do total da energia consumida no País, o equivalente a 45 bilhões de quilowatt/hora (kw/h), quantidade suficiente para abastecer toda a região Nordeste durante um ano. De acordo como o chefe de Departamento de Planejamento de Estudos de Conservação de Energia da Eletrobrás, Renato Mahler, que participou do seminário, o maior responsável pelo desperdício é o setor industrial, que consome 45% de toda energia gerada no Pais e ainda convive com essa margem de perda constatada especialmente nos motores das empresas.

Para combater tanto desperdício, o governo federal desenvolve vários programas para o consumidor comum e para empresas. O carro-chefe é o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), instituído em 1985. Com esse programa, explicou Renato Mahler, foi possível uma redução de consumo da ordem 19 bilhões de kw/hora, até 2004, correspondente ao atendimento a 10 mi-1hães de residências durante um ano, ou seja, mais de 20% das 45 milhões de moradias do Brasil. A economia obtida pelo Procel evitou investimentos estimados em R$ 16 bilhões de reais. O volume reduzido corresponde à produção de uma hidrelétrica com capacidade para 4,5 mil megawat (MW) médios.

Participaram do evento também o Esco-energy Saving Company, Adalberto Carvalho Rezende; o chefe do Departamento de Planejamento de Estudos de Conservação de Energia da Eletrobras, Renato Mahler; Antônio Carlos Durso Carneiro, da Enemax Engenharia e Consultoria Ltda; o gerente de Novos Negócios da Gasmig, Décio Guimarães de Abreu, e representantes da Telemar, Belgo-Mineira e V8 M do Brasil, que falaram sobre as experiências de suas respectivas empresas em programas de gestão energética.
By