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| Seminário Nacional Gestão de Energia - País joga fora 15% da energia consumida |
Atividade industrial é a principal responsável pelo nível elevado de desperdício no Brasil
Diário do Comércio – 23/02/05
A perda de energia ainda é desafio no Brasil. O país desperdiça 15% do total da energia consumida, o equivalente a 45 bilhões de quilowatt/hora (kw/h), quantidade suficiente para abastecer toda a região Nordeste durante um ano. A informação é do coordenador de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ, secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas e ex-presidente da Eletrobras, Luiz Pinguelli Rosa, que esteve ontem em Belo Horizonte para participar da primeira edição do “Seminário Nacional Gestão de Energia e Competitividade”, organizado pelo Instituto de Educação Tecnológica (Ietec).
Pinguelli revelou que o maior responsável pelo desperdício é o setor industrial, que consome 45% de toda energia gerada no país e que ainda convive com essa margem de perda constatada especialmente nos motores das empresas. “O Brasil utiliza a hidroeletricidade. O problema das crise de energia depende do crescimento da economia. Há ainda um excedente que deve se esgotar rapidamente”, previu.
De acordo com o diretor do Ietec, Ronaldo Gusmão, os objetivos do seminário foram enfatizar a energia como um insumo a ser gerenciado, o que, segundo ele, implica na valorização da gestão de energia. “Queremos identificar as oportunidades para projetos de eficiência energética e discutir os riscos e oportunidades envolvidos nos contratos de energia elétrica. Além disso, esta é a ocasião ideal para apresentar as oportunidades e estratégias de seu uso por meio de empresas que implantaram projetos de eficiência energética com sucesso”, explicou.
Foram abordados temas como o modelo de operação do sistema brasileiro de energia elétrica e a valorização da gestão da energia. Os riscos e as oportunidades envolvidas nos contratos de energia elé-trica também foram discutidos.
Redução de consumo – O seminário também discutiu formas de redução nos gastos de um dos principais insumos das empresas. Durante o evento foram apresentados casos de projetos d.e eficiência energética bem-sucedidos em três grandes grupos: Telemar, Belgo Mineira e Vallourec & Mannesmann Tubes (V&M do Brasil). A instalação de termelétricas em plantas industriais e o uso mais racional da energia promoveram redução significativa no uso do insumo por estas empresas.
A V&M do Brasil, maior consumidora de energia elétrica em Belo Horizonte, vem trabalhando para reduzir o consumo. Nos últimos três anos a empresa implantou diversos projetos de eficiência energética que resultaram em uma redução de 8% do consumo específico de energia elétrica (megawatts/hora/tonelada de aço), que representou uma economia de 24 gigawatts/hora/ano.
A Belgo Mineira, na usina de João Monlevade, iniciou a implantação de dez, projetos de eficiência no final de 2001. Em 2004 a empresa conseguiu economizar R$ 4 milhões, deixando de comprar menos 37 gigawatts hora/ano da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), o equivalente ao consumo anual de uma cidade de, 81 mil habitantes. Medidas simples foram adotadas como, por exemplo, a troca de 3 mil lâmpadas de mercúrio de 400 watts por outras de valor metálico utilizadas nos refletores da usina, representando uma,. economia no ano passado de 3 gigawatts/hora/ano.
Já a Telemar, que possui 5,5 mil estações telefônicas de grande, médio e pequeno portes no Estado, implantou um projeto de eficiência em maio do ano passado. A meta é conseguir uma redução total de 6% ao mês no consumo em baixa tensão na filial mineira.
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