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| BARRAGEM DE REJEITO AMEAÇA MORADORES |
PERIGO: Ambientalistas alertam que cerca de 500 depósitos de mineradoras e hidrelétricas estão irregulares
Menos de l0% das cerca de cinco mil barragens de depósitos de rejeitos - de mineradoras e hidrelétricas -espalhadas pelo Estado estão ir-regulares, não cumprindo as regras estabelecidas pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam). Os números, revelados na última reunião da Comissão Parlamentar sobre Acidentes Ambientais da Assembléia Legislativa, pautaram as discussões, ontem, do Seminário Nacional sobre Barragens de Rejeitos.
Embora os números revelados não sejam precisos - uma vez que o levantamento das barragens, principalmente as de rejeito, ainda não foi concluído -, a presidente da Comissão sobre Acidentes Ambientais da Assembléia, Maria José Haueisen (PT), admite que o quadro é alarmante. “Estamos apurando as causas e as conseqüências que podem acarretar essas barragens à população”, disse, O relatório final da comissão, segundo ela, será apresentado em agosto.
A diretora de Atividades Industriais Minerárias da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), Zuleika Torquetti, admi-te que centenas de pessoas que vivem próximo a áreas mineradoras correm risco de vida. Ela aponta como exemplo as barragens abandonadas no município de Brumadinho, na Região Metropolitana de BH. Ao esgotar as áreas de mineração, cinco empreendedores deixaram para trás barragens com milhares de toneladas de rejeito. “São rejeitos com características químicas, que podem impactar seriamente o meio ambiente e colocar vidas em risco”, disse. Essas empresas, que hoje são responsabilidade de gerentes de massa falida, foram denunciadas pelo Ministério Público, mas não há sequer previsão de quando o processo será finalizado. A Feam alega que o Estado não pode assumir ônus da remoção dos rejeitos. Até o momento, a Feam catalogou 434 barragens. O órgão espera finalizar o trabalho até meados do próximo ano.
O presidente da Câmara da Indústria Mineral da Fiemg, José Fernando Coura, afirma, em contrapartida, que o volume de mineradoras com rejeitos dispostos inadequadamente “é mínimo”. “Os empreendedores estão cientes da importância de se reciclar os rejeitos. Ninguém é louco para rasgar dinheiro”, disse. Para o diretor do Consórcio Mineiro de Engenheiros Consultores, Jorge Felipe Filho, essa conscientização está longe de ser realidade. “Há tecnologia de ponta no país para se evitar tragédias. Falta consciência”, conclui.
O seminário sobre a situação das barragens de rejeito acontece na sede da Fiemg, em Belo Horizonte, e será finalizado hoje, com a apresentação de uma carta a ser encaminhada a instituições, como o Ministério Público, e aos poderes Executivo e Legislativo do Estado.
* Jornal Hoje em Dia – Sexta-feira – 4/07/03
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