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| Apenas 10% das barragens em MG estão regularizadas |
O desastre ecológico provocado pelo vazamento da barragem de rejeitos da Indústria Cataguases de Papel levou a sociedade a discutir a atual situação das barragens no país. Estima-se que, apenas em Minas Gerais, estado onde está localizada a indústria Cataguases, existam cerca de 5 mil barragens construídas para diversos fins, desde hidrelétricas até às de rejeitos. No entanto, menos de 10% estão regularizadas de acordo com as normas deliberadas pelo Conselho Estadual e Política Ambiental (Copam). Esses dados foram revelados em recente reunião da Comissão Parlamentar sobre Acidentes Ambientais, na Assembléia Legislativa de Minas Gerais.
O engenheiro de minas, Jorge Manuel da Gama Pinto Valente, que no dia 3 de julho falará sobre Análise e Gestão de Riscos, durante o Seminário Nacional Barragens de Rejeitos, em Belo Horizonte, afirma que a maioria das barragens construídas recentemente no Brasil se encontram em bom estado. O problema começa a aparecer quando se analisam as construções antigas. "Muitas delas já não estão em operação, transformando-se em passivos ambientais controlados com deficiência", conta Valente.
Entretanto, quando as comparações são feitas com os países de primeiro mundo, ficam claras as deficiências do Brasil na elaboração de projetos de construção de barragens. "Diferente do que acontece em países como Canadá ou Estados Unidos, no Brasil não são feitas análises de riscos, nem planos de contingenciamento para emergências", detalha Valente.
Segundo o engenheiro civil Jorge Felipe da Silva, que falará sobre tecnologia para projetos de barragens nesse mesmo seminário, os órgãos ambientais do governo são responsáveis pela fiscalização das áreas de risco. Pondera, no entanto, que as empresas devem fazer avaliações preventivas. "As empresas não podem esperar as iniciativas dos órgãos públicos para cumprir com seus deveres", completa Jorge Felipe.
Passivos ambientais: problema eterno
Jorge Valente explica que a lei obriga as empresas a controlarem os passivos ambientais, mas essa não é uma atitude muito usual. "Infelizmente a maioria das empresas não está se preocupando com os passivos. E não é por falta de tecnologia, pois ela está disponível", assegura.
A solução mais conhecida para evitar o crescente acúmulo de rejeitos é a reciclagem. Daí a importância de projetos para analisar quais produtos podem ser reaproveitados, antes de serem depositados para sempre em barragens. "Hoje há uma cultura de se rejeitar o mínimo possível. O problema é que isso não acontecia há alguns anos, portanto, existem alguns passivos antigos, que a sociedade precisa aprender a controlar e a conviver com eles".
Em sua palestra, Jorge Valente vai abordar todas as formas de riscos que a construção de uma barragem pode conter. Desde os riscos dos projetos, da operação até os riscos políticos, sociais e empresariais. "Tudo deve ser pensado antes de se construir uma barragem, até mesmo o treinamento de uma comunidade que pode ser afetada por um possível vazamento de rejeitos", explica Valente.
O Seminário Nacional Barragens de Rejeitos - Segurança e riscos, é organizado pelo Instituto de Educação Tecnológica (Ietec), Câmara da Indústria Mineral da Fiemg e Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (Sindiextra). Será realizado dias 3 e 4 de julho, no auditório da FIEMG (av. Contorno, 4.520). Informações e inscrições pelo telefone (31) 3223-6251, email: cursos@ietec.com.br ou no site www.ietec.com.br
FONTE: www.ambienteglobal.com.br - 02/07/03 |
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