 |
|
|
| NOVOS SOLTEIROS, NOVO MERCADO A CONQUISTAR |
Dos milhares de dados do Censo-2000 do IBGE um conjunto de números mobilizou as empresas mais atentas. Mais de quatro milhões de brasileiros moram sozinhos, ganham em média 10 salários mínimos e a maioria tem curso superior. Solteiros, separados ou viúvos, eles são os novos solteiros, grupo que construiu um novo modo de vida, por desejo de independência social e sexual, por dificuldade de convivência ou pela simples cultura da individualidade. E uma informação relevante para o mercado mineiro: a capital com o maior número desse público é Belo Horizonte. Mesmo valioso, ele é o cliente que alguns empresários tacham de "chato", mas pode ser percebido como o novo mercado para um novo negócio.
Acostumada a pesquisar comportamentos e tendências, através de pesquisas e observações empíricas, a coordenadora técnica do curso de pós-graduação em Gestão de Serviços do Instituto de Educação Tecnológica (Ietec), Soraya Gervásio, entende que esse grupo não reclama do preço, mas é exigente ao extremo. "São consumidores que estão por conta de serem bem atendidos e que têm poder aquisitivo para sustentar esse nível de exigência", explica Soraya, pedagoga com mestrado em Planejamento e Gestão Organizacional e consultora de grandes empresas nacionais e multinacionais.
Através de trabalhos acadêmicos, realizados por alunos de pós-graduação e monitorados de perto pelos professores, Soraya reuniu dados sobre os hábitos desse grupo. O conceito de que um morador solitário tem casa bagunçada e não liga pra nada foi contrastado por outra realidade: trata-se de um consumidor de serviços personalizados, inclusive na estética pessoal, na arrumação da casa e na alimentação, enfim, que se cuida melhor do que as outras pessoas. Um indicador poderoso das mudanças ocorridas nesse núcleo de mercado é a explosão de cirurgias plásticas estéticas, em que 30 por cento da clientela são homens.
A caracterização desse nicho de mercado impõe, no entanto, uma advertência aos interessados: não usem os meios convencionais de venda, porque esses consumidores querem um tratamento específico, tanto no que consomem quanto na abordagem de marketing.
"Este é o consumidor para quem não se oferecem serviços estritamente convencionais",
avisa.
"O gerente de uma boutique ou de uma delicatessen pode prestar atenção nesses consumidores, às vezes tidos como difíceis, para entendê-los e conquistá-los um a um. É assim que eles querem e, em compensação, sabem valorizar um bom atendimento"
Com este perfil de consumo, o grupo dos novos solteiros só se formou por causa do desenvolvimento tecnológico, especialmente para o setor de serviços. E esse desenvolvimento surgiu com a mulher profissional deixando de ser "do lar" para encarar o mercado de trabalho. O que se criou para atender a essas necessidades acabou viabilizando, por tabela, esse novo mercado que, necessariamente, precisa ter padrão de
renda superior à média e que preza a qualidade de vida.
Dentre os serviços dirigidos a esse público, o mercado já oferece porções individuais de comestíveis (pães, pizzas, etc.), serviços de arrumação (há quem seja especializado em arrumação de armários), cabeleireiros, limpeza de pele, lavagem de roupas, decoração, professores, malhação e muitos outros, em que o delivery reina absoluto. Os barzinhos e restaurantes devem conhecer esse cliente pelo nome e pelos hábitos. Soraya ressalva, no entanto, que personalizado não significa pessoal. "O atendimento não pode denotar intimidade, mas conhecimento das necessidades do cliente."
Sobre atendimento, outro alerta de Soraya, que é especialista em RH: cuidado para que o empregado prestador do serviço esteja satisfeito. Se ele não estiver, não vai satisfazer o cliente. Ele precisa ser treinado para dar valor aos detalhes que, na maioria das vezes, estão além do seu universo, o que prejudica a exata compreensão do seu papel.
Consultora e palestrante experiente, Soraya Gervásio está pronta a desenvolver esta análise nas empresas e grupos interessados. O contato com ela pode ser pelo e-mailcoordenadorgs@ietec.com.br
* Gazeta Mercantil, 20 de março de 2003.
|
| | |
| |