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Boletim Gestão e Tecnologia Industrial - Maio/08 - Nº57

 
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Inovação: explorando as mudanças como oportunidade de melhorias



No mundo atual, o mercado, os produtos, as tecnologias, as concorrências e as organizações estão sujeitos a freqüentes mudanças e a exigências cada vez maiores por serviços sofisticados e personalizados. A inovação e a gestão convergem-se em fontes essenciais para vantagens competitivas e sustentadas, ou seja, a base para o crescimento econômico e o aumento da produtividade.

O desafio consiste em estimular a produção de conhecimento novo e sua gestão, o desenvolvimento da capacidade, a inovação, as capacidades tecnológicas da organização e os serviços prestados aos clientes - não desprezando os recursos físicos. Esta é a chave do sucesso para grande parte das empresas, indústrias e países.

Em linhas gerais, uma empresa inovadora realiza a renovação de sua gama de produtos e serviços, cria novos métodos de produção, de estoque e de distribuição e introduz alterações na gestão, na organização e nas condições de trabalho, bem como nas qualificações dos seus trabalhadores.

Para o especialista, Luis Augusto Lobão Mendes, muitas empresas não têm estratégia definida e confundem metas operacionais de curto prazo com investimentos de longo prazo, mas a maioria não sabe o que está realmente fazendo para garantir o futuro. "Para elas, estratégia significa mais sobreviver à concorrência do que obter vantagem competitiva. É sabido que a prática da estratégia de negócios deve começar com o cliente, pois sem atender às necessidades dele, o negócio perde a razão. Um produto permanece diferenciado só até a emergência do primeiro seguidor. Depois disso, ele começa a se comportar como uma commodity e passa a conviver com o acirramento da guerra de preços. Com o tempo, aliás, todos os produtos seguem esse caminho", explica.

Mendes acredita que as organizações que não conseguirem enxergar valor para o cliente, além da aplicação ou da funcionalidade dos produtos/serviços que vendem, enfrentam um futuro incerto, já que, hoje, a inovação de valor não está restrita às características intrínsecas às soluções, mas aos resultados de sua aplicação.

"Outro fator determinante está relacionado à forma como a fornecedora define seu modelo de negócio, com o intuito de criar vantagens sobre os concorrentes. As organizações dependem de seus clientes e, portanto, convém que entendam as necessidades atuais e futuras desse público. A entrega de valor busca criar mudanças nos atributos do produto/serviço oferecido, inserindo conceitos de eficiência, resultado e economia, ao mesmo tempo em que procura novas fontes de valor em produtos substitutos, tendências e em outros setores de atuação".

O especialista acha que a criação de valor também pede uma estratégia mais ampla, ou seja, não dá apenas para esperar que o melhor aconteça. "O jogo muda rapidamente e o conhecimento das novas regras exige habilidade de executivos e empresários", argumenta. "Eles precisam olhar de fora para dentro da organização, tratando a companhia como um portfólio de negócios e não de produtos.

Com base nisso, as empresas precisam ampliar a definição tradicional de negócio, ao criar uma proposta única de valor. Em outras palavras, a camisaria passa a ser uma empresa que cria emoção de vestir e de se sentir bem; a fábrica de cadeiras de jardim se posiciona como criadora de ambientes refinados e belos; a indústria de caixas de papelão vira uma fornecedora de serviços de expedição e engenharia de embalagem, entre outros exemplos".

Luis Augusto diz que esta nova definição, por sinal, pode até parecer arbitrária e um pouco pretensiosa, contudo, o importante é liberar o pensamento criativo. "Para tanto, nada melhor do que mergulhar na experiência do cliente, a fim de identificar necessidades e desejos. Aliás, o empresário não deve confiar apenas em ouvir as respostas dos usuários, pois eles quase nunca sabem de fato o que querem. O melhor caminho é articular a insatisfação do público-alvo, fazendo com que as características levantadas orientem a definição de um pacote de valor para o mercado".

Vanessa Sensato, do setor de comunicação da Agência de Inovação da Universidade Estadual de Campinas (Inova Unicamp), afirma que a mola propulsora do desenvolvimento tecnológico é a inovação tecnológica hoje exigida para o Brasil competir globalmente. "Acredito que a inovação tecnológica é a única saída para o Brasil sobreviver e se manter competitivo em diversos mercados".

Para ela, uma das grandes dificuldades da inovação tecnológica é o seu alto risco e por conseqüência o seu custo, sendo papel do governo criar condições para que estes riscos sejam menores e é papel da iniciativa privada correr estes riscos. "No caso da universidade, possui muitas propostas de geração de inovação tecnológica que necessitam das empresas para serem concretizadas. Um exemplo típico de se realizar esta aproximação e parceria é através de projetos de pesquisa colaborativa e do licenciamento de tecnologias em fase embrionária desenvolvidas na universidade"

A especialista em administração de recursos humanos, Maria Inês Felippe, acredita que, atualmente, e por questões de sobrevivência, há uma grande demanda e o interesse pelo tema criatividade e inovação, pois segundo pesquisa realizada pela Pricewaterhouse Coopers, os profissionais mais valorizados são os realizadores éticos e criativos. "A criatividade favorece observar, enxergar o que todos estão vendo, visualizando coisas diferentes.

Muitos problemas que percebíamos sem solução, com criatividade começamos a perceber novas saídas. Outro aspecto interessante é que não basta somente criar, gerar idéias, é preciso analisá-las e implementá-las. Também podemos perceber a criatividade não somente como um instrumento de soluções de problemas, mas também como alavancagem de negócios e surgimento de novos serviços".

Ela identificou, durante os programas de criatividade que realizou, que, na grande maioria, a importância de criar vem seguida de uma necessidade, problemas, dificuldades e curiosidades ou a busca de estratégias para manter-se competitivo. "Constantemente somos chamados para trabalhos de treinamento em criatividade e inovação e as empresas alegam ter programa de inovação, citando como exemplo caixa de sugestões e percebemos que por trás deste discurso há uma frustração, insatisfação, pois nem sempre apresenta resultados, ou seja, os funcionários não apresentam idéias realmente criativas e inovadoras que agreguem valor ao negócio.

Cabe ressaltar que somente este procedimento é insuficiente para gerar resultados para a organização do ponto de vista de geração de idéias, é preciso pensar em gestão de inovação e não atos isolados. Veja que interessante, podemos observar a criatividade como habilidade indispensável devendo ser cultivada tanto do ponto de vista pessoal como organizacional, especialmente, neste momento da história que é marcada fundamentalmente por mudanças.

Qual a nossa participação: devemos preparar funcionários, gestores para essa realidade, capacitando-os e potencializando-os no pensar criativo a acima fortalecendo uma liderança criativa. Tais pessoas precisam estar comprometidas e envolvidas com o negócio da organização, serem autônomas, formar times de trabalho, ter visão do futuro, estar em contínuo aperfeiçoamento e abertas para um novo pensar, novas idéias. A atuação do consultor interno é fundamental neste contexto.

Segundo Maria Inês, os programas de Tecnologia & Desenvolvimento (T&D) devem ser percebidos como um processo global, devendo existir uma visão de totalidade nos vários níveis de conhecimento tais como: expressão sensorial, intuitiva, afetiva, racional e transcendental e acima de tudo focado em resultados, ou seja e observar globalmente e agir localmente. "O estabelecimento de objetivos claros e precisos, é uma estratégia fundamental para que os treinamentos possam ser vistos como investimentos e com retorno garantido, aí sim podemos medir resultados.

A visão de RH deverá estar voltada para o negócio da organização, para os funcionários, assim como para o seu próprio comportamento, portanto temos que ser criativos. A receita da competitividade permanente está na capacidade de definir competências, estratégicas, assim como uma organização voltada para o aprendizado e sua aplicação, desenvolvendo ações que possibilitem a busca de outras alternativas, saídas para antigos e novos problemas, desenvolvimento do pensamento criativo e abertura para ações criativas".

Para a especialista, a área de recursos humanos, junto com os gestores, tem uma grande parcela de responsabilidade que é gerenciar e desenvolver a criatividade como fator de competência, tendo claro a situação atual da organização, identificar necessidades futuras, estabelecer planos de ação, e corrigir os gaps. "Surge assim, a necessidade de alterações em padrões de valorização social e cultural, bem como das condições de vida, pois somente dessa forma conseguiremos integrar as expectativas dos empresários com as dos funcionários. A requalificação dos funcionários para atender todas as necessidades, aberturas às novas idéias, através de uma gestão criativa, a quebra ou reformulação dos modelos mentais entre outras necessidades é o grande desafio.

Empresas inovadoras

Um estudo intitulado Tecnologia, Exportações e Emprego, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostrou que, freqüentemente apontadas como um das causas do desemprego, as inovações tecnológicas são na verdade estímulo para a abertura de vagas. Segundo o trabalho, o grupo de empresas que mais inova no Brasil teve aumento de 29% no número de contratações entre 2000 e 2004, enquanto a média da indústria nacional ficou em 19%. Trata-se do conjunto de indústrias com mais de 500 funcionários. São 1.368 companhias, das quais 900 (ou 74%) realizaram alguma inovação entre 2001 e 2003.

A explicação para a disparidade pode estar no fato da inovação tecnológica resultar em ganho de produtividade e por isso abrir novas frentes de trabalho. "É evidente que a tecnologia poupa mão-de-obra, mas o que acontece é que as firmas inovadoras estão crescendo mais", explica Fernanda De Negri, pesquisadora do Ipea e uma das organizadoras do estudo.

Outra informação que chama a atenção é a diferença de salário entre os funcionários de uma firma que inova e diferencia seu produto em comparação a média geral da indústria. Os trabalhadores desse grupo ganham 12,07% a mais que a média geral. "A inovação desloca a demanda de mão-de-obra em direção a um trabalho mais qualificado", esclarece De Negri. Mas a inovação ainda é um alto risco para a grande maioria das indústrias.



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