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Boletim Gestão e Tecnologia Industrial - Maio/08 - Nº57

 
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Logística Reversa: modismo ou ferramenta indispensável?
Emerson Geraldo Camilo Gonçalves, Gerente de Operações da GRSA e pós-graduado em Gestão da Logística pelo Ietec. Trabalho orientado pelo coodenador José Ignácio Villela Júnior.


Sabemos que a Logística é a área responsável por prover recursos, equipamentos e informações para a execução de todas as atividades de uma empresa, dentre elas o transporte, movimentação de materiais, armazenamento, processamento dos pedidos e o gerenciamento das informações. Resumindo, é a arte de comprar, receber, armazenar, separar, expedir, transportar e entregar o produto/serviço certo, na hora certa, no lugar certo, ao menor custo possível.

A Associação Brasileira de Logística define Logística como o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo e armazenagem eficientes e de baixo custo de matérias primas, estoque em processo, produto acabado e informações relacionadas, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender aos requisitos do cliente.

Inversamente, a Logística Reversa é a área da logística que trata dos aspectos relacionados ao retorno dos produtos, embalagens ou materiais ao seu centro produtivo. O principal objetivo é atender os princípios de sustentabilidade ambiental, buscando uma produção limpa, onde quem produz se responsabiliza pelo destino final dos produtos gerados, reduzindo assim o impacto ambiental causado por eles.

Para Rogers & Tibben-Lembke (1999), a Logística Reversa se define como o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo eficiente e de baixo custo de matérias primas, estoque em processo, produto acabado e informações relacionadas, desde o ponto de consumo até o ponto de origem, com o propósito de recuperação de valor ou descarte apropriado para coleta e tratamento de lixo.

Importância da Logística Reversa

Em tempos de aquecimento global e tudo que envolve a preservação ambiental, uma novidade vem ganhando espaço no mercado. Trata-se da Logística Reversa, que é a área da Logística que trata dos aspectos de retorno dos produtos, embalagens ou materiais ao seu centro produtivo. Seu principal objetivo é atender os princípios de sustentabilidade ambiental, buscando uma produção limpa, onde quem produz se responsabiliza pelo destino final dos produtos gerados, reduzindo assim o impacto ambiental causado por eles.

Como bons exemplos, podemos mencionar a iniciativa de grandes empresas como a Natura, que desde 1983 adotou a modalidade de refil dos produtos, utilizando menos recursos naturais e produzindo menos lixo, além da utilização do álcool orgânico, livre de queimadas e agrotóxicos e adoção em 2007 do carbono neutro, como forma de neutralizar os efeitos de sua produção no meio ambiente.

Também temos O Boticário, que acaba de lançar o programa Bioconsciência, no qual os consumidores são convidados a devolver nas lojas as embalagens vazias, para que sejam repassadas a empresas recicladoras, que as devolvem em forma de outros produtos no mercado, reduzindo assim a quantidade de resíduos dispostos incorretamente, além de adotar a coleta seletiva.

Destacamos ainda no Brasil, a utilização cada vez maior do PET (Poli Tereftalato de Etileno) reciclado, que teve inicio em 1988 na área têxtil e ganhou aliados em 1993 com as embalagens das indústrias de refrigerante, sendo também utilizado na produção de resinas químicas, tubos, chapas laminadas, fitas de arquear, além de ser exportado.

Segundo a Associação Brasileira de Embalagem – ABRE o Brasil, mesmo comparado a países desenvolvidos, apresenta elevados índices de reciclagem. Podemos citar a reciclagem do vidro, que corresponde a 46% de suas embalagens, sendo que em 2003, 45% do total do vidro que circulou no mercado nacional foi reciclado. Em 2004, 33% do papel que circulou no país retornou à produção através da reciclagem.

A embalagem longa vida tem uma taxa de reciclagem mundial pós-consumo de 16%, sendo que o Brasil em 2003 teve um índice de 20%. O Brasil também recicla cerca de 70% de todo o aço produzido anualmente e em 2003, 47% das latas de aço consumidas no Brasil passou pelo processo. Em 2005, o país reciclou aproximadamente 9,4 bilhões de latas de alumínio (127,60 mil toneladas), correspondendo a 96% da produção nacional. Quanto aos plásticos rígidos e filmes, no Brasil são reciclados 16,5%, sendo aproximadamente 200 mil toneladas/ano, sendo o 4º pais na reciclagem mecânica de plásticos.

A Logística Reversa engloba as operações relacionadas à reutilização de produtos e materiais, sendo a coleta, desmonte e processamento dos produtos/materiais e peças usados, bem como ao fluxo de materiais que voltam à empresa, seja por devoluções de clientes, atendimento à legislação, entre outros. Por ser uma área que a princípio não envolve lucro (pelo contrário, apenas custos) a maiorias das empresas não dão a mesma atenção dispensada ao fluxo de saída normal de produtos.

Mas atualmente vemos a adesão de grandes empresas ao processo, bem como certa revolução em nossa literatura relacionada ao tema.

Logística Reversa: Custos, motivos e causas

De acordo com a Associação Brasileira de Movimentação e Logística, embora não tenhamos dados precisos sobre o que representam em valores os custos da Logística Reversa no Brasil, mas considerando-se o mercado americano e comparando ao Brasil, supõe-se que seja de aproximadamente 4% dos custos totais de Logística, que foi de US$ 153 bilhões em 1998.

RevLog, aponta como principais razões da adesão das empresas à Logística Reversa: a) A Legislação Ambiental, que cobra maior responsabilidade dos fornecedores sobre seus produtos e subprodutos; b) Redução de custos com o retorno dos produtos/matérias ao centro de produção, evitando maiores gastos com o descarte correto do lixo; e c) A crescente conscientização ambiental dos consumidores.




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