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Boletim Gestão e Tecnologia Industrial - Abril/08 - Nº56

 
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Sua produção é eficiente?
Comunicação Ietec

Quando se fala em produtividade, a primeira idéia que surge para muitos gestores é fazer mais em menos tempo e com o máximo da capacidade de equipamentos e mão-de-obra. Na teoria, este é um preceito importante para a indústria mas, na prática, nem sempre é isto o que acontece.

Pequenas paradas por manutenção de maquinário ou por fadiga dos operadores, trocas de turno, falha nos equipamentos. De acordo com indicadores de produtividade, estas ocorrências são consideradas perdas de produção. Comprometem a eficiência de uma fábrica e são inerentes a qualquer atividade industrial.

Na busca pela redução destas perdas, indústrias têm investido em técnicas que possibilitem o melhor monitoramento de possíveis gargalos na produção. Mas como medir o progresso desta redução e acompanhar sua perpetuidade? Como descobrir pontos chaves de melhoria sistêmica? A solução pode estar no Overall Equipment Effectiveness (Eficiência Global de Equipamentos) ou OEE.

De forma simples e eficiente, a OEE é uma ferramenta que pode auxiliar gestores e supervisores de produção a enxergar perdas capazes de comprometer a qualidade e a produtividade nos processos industriais. Possibilita um meio de medir a diferença entre o ideal e o que está sendo alcançado de fato pela fábrica.

A Açoforja, indústria fabricante de forjados em aço, tem como meta para os próximos anos a implantação da OEE em sua linha produtiva. Seu principal gargalo: excesso de matéria-prima e de tempo na produção das 2 mil toneladas de peças mensais.

O engenheiro de processos da Açoforja, Alan Viana, sabe que a aplicação da OEE é decisiva para garantir a competitividade da indústria: “Temos problemas sérios que precisam ser solucionados. No que se refere à matéria-prima, gastamos até 10% a mais de recursos para a produção de uma peça, por exemplo. Reduzir gastos sem comprometer a qualidade dos nossos produtos é o nosso grande desafio”, explica.

O coordenador dos cursos de Gestão e Tecnologia Industrial do Ietec, o consultor José Ignácio Villela, explica que a eficiência da OEE reside na transparência que ela garante aos processos produtivos, uma vez que possibilita aos supervisores identificar as suas fontes de perda.

A eficácia de uma máquina ou o seu desempenho depende do seu tempo de produção, velocidade e qualidade. Estes três elementos definem a OEE do processo produtivo. “A identificação da falha, dos gargalos, das perdas de velocidade e anormalidades são facilmente mostradas pela OEE, o que a torna uma importante aliada das indústrias”, ressalta Villela.

A rapidez na identificação de gargalos é apontada pelo gerente de processos da Resil Minas, Mozart Costa, como um dos principais benefícios da OEE: “Por meio da ferramenta, sabemos com precisão onde esta o erro e onde devemos atuar. Em uma indústria, é importante não ficar tentando resolver todos os problemas evidenciados. Precisamos trabalhar de forma sistemática”, explica Costa.

Ainda de acordo o gerente de processos, com os dados em mãos, a equipe de produção recebe as informações necessárias para otimizar a utilização dos recursos da fábrica. Através das medições e registros dos indicadores OEE, a equipe tem um feedback do desempenho atual de seus equipamentos e mão-de-obra diariamente. Assim, é possível definir ações adequadas. Até mesmo uma pequena ocorrência identificada pelo OEE é capaz de resultar em um aumento significativo na produtividade.

Desde 2005, a Belgo implantou a Produção Puxada, seguindo a risca o princípio que norteia a empresa: a redução da produção excedente. Desde 1994 são monitorados alguns itens previstos na utilização do OEE (disponibilidade e eficiência) em seus equipamentos, restando apenas a implementação do item qualidade para implementação futura. Na avaliação do técnico de manutenção da Belgo, Edmar Ferreira, a linha de produção tem cumprido com o propósito: "Reduzimos o nosso inventário e, conseqüentemente, os nossos gastos. O tempo é utilizado naquilo que é necessário e tudo o que produzimos foi planejado”, explica.

José Ignácio Villela afirma que a aplicação da OEE na indústria garante uma redução de perdas de até 70%, mas avisa: reduzir a zero estas perdas ainda é impossível. “Apesar da eficiência que a OEE garante aos processos produtivos, reduzir em 100% estas perdas ainda é difícil. O que se pode garantir são reduções expressivas que variam de acordo com os procedimentos de produção já adotados pela indústria”.



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