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| A CULTURA DO TREINAMENTO |
Muitas empresas do país já se preocupam em se apresentar aos novos funcionários em cursos, vídeos ou palestras.
A conquista de um trabalho é acompanhada de muita alegria e expectativa. Para aqueles que estavam desempregados ou estão mudando de emprego, a nova empresa precisa ser compreendida em diversos aspectos. Por isso, a cada dia se tornam mais comuns os treinamentos introdutórios. Por meio deles, o novo funcionário conhece valores, filosofia e as demais políticas do lugar onde vai trabalhar.
"O treinamento de integração é fundamental para passar informações que até mesmo por falta de prática a pessoa não pergunta antes da contratação”, afirma a diretora do Grupo Catho em Minas Gerais, Lizete Araújo. Para ela, o treinamento facilita a vida do funcionário porque ele pode saber quais são as diretrizes da empresa e a política de promoção do lugar. "Mas é fundamental que essa comunicação seja feita sem ruídos”, diz a diretora.
Desde 1995, a Arco Engenharia adotou um programa de treinamento para os seus novos funcionários. Um curso de seis horas de duração trata de questões como segurança no trabalho, política de benefícios, relações humanas, qualidade e um sistema importado do Japão conhecido como 5S. "São os cinco sensos: descarte, arrumação, limpeza, higiene e disciplina, explica a coordenadora de recursos humanos da empresa, Mariene das Graças Nunes de Magalhães.
O programa foi adequado à realidade brasileira e visa diminuir os desperdícios. A norma da empresa é "sujou tem que limpar”. O pedreiro tem um local onde é feito o descarte de materiais e a obra deve ser mantida limpa e organizada. O programa educa o funcionário e ajuda a chefia a ter uma maior percepção do ambiente de trabalho”, conta Mariene.
Equipe
Outro aspecto importante é o respeito aos colegas que é abordado no treinamento. Técnicas são desenvolvidas para incentivar o funcionário a trabalhar em equipe. O treinamento para o pessoal do escritório dura duas horas, mas ninguém entra na empresa sem passar pelo curso.
"O processo de informação traz muito benefício para a empresa”, avalia a coordenadora. De acordo com Mariene, há um aumento da produtividade e uma diminuição do número de acidentes. A imagem que passa para o cliente é positiva porque ele percebe que a obra é limpa e organizada.
A Santa Bárbara Engenharia também possui um programa para integrar os novos funcionários. "Nossa intenção 6 manter um bom relacionamento entre a empresa e o colaborador", afirma a coordenadora de recursos humanos da empresa, Shirlei Fernandes Ireno.
São dois módulos distintos para o programa denominado Integrar. O administrativo é voltado para engenheiros, gerentes de contratos e assistentes administrativos. O módulo operacional é para funcionários das obras. "O que muda é a metodologia, é preciso usar uma linguagem mais simbólica nas obras", explica Shirlei.
A pessoa entra e tem um tempo limite para fazer o treinamento. Ele mostra a estrutura ao colaborador, quais são os costumes e crenças da empresa. Como as áreas são e como elas funcionam. “E uma apresentação institucional, mas a pessoa consegue entender a filosofia da Santa Bárbara", diz Shirlei. Um manual com todas as normas, políticas e histórico é entregue ao funcionário.
Vídeo
O Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG) para melhorar a capacitação da mão-de-obra do setor da construção civil e aperfeiçoar o processo produtivo no canteiro de obras, lançou o Qualidade de Serviços (Qualiserv). Um programa com vídeos de treinamento destinado aos operários, ensinando os procedimentos de uma obra.
"Nós não temos a cultura de treinar”, afirma o vice-presidente da área de materiais e tecnologia do Sinduscon, Cantídio Alvim Drumond. Para ele, o treinamento 6 fundamental. A qualidade melhora porque a execução de um determinado procedimento se torna padrão.
Com uma linguagem acessível, o personagem-mascote dos vídeos, o Quali Mestre, orienta os trabalhadores em seus serviços. “O treinamento de operários por meio de vídeos é mais eficaz já que o grau de instrução na construção civil costuma ser baixo”, diz Drumond. Os vídeos de treinamento priorizam os procedimentos básicos da obra que, se mal executados, prejudicam o resultado final da construção. Eles estão à venda no Sinduscon e custam R$ 60.
"O empresário tinha a idéia que treinar era jogar dinheiro fora. Hoje eles sabem que o conhecimento de uma empresa está nas pessoas. O retorno é violento. O índice de desperdício diminui e evita o retrabalho”, afirma Drumond.
Aperfeiçoamento profissional e pessoal
Treinar, orientar e preparar o profissional fundamental. Além das normas e políticas da empresa apresentadas no treinamento introdutório, os empresários têm procurado in vestir na atualização de seus funcionários. "As empresas perceberam que é até uma questão de cidadania”, afirma a diretora do Grupo Catho, Lizete Araújo.
Segundo Lizete, a empresa que não facilita ou viabiliza o aprimoramento de seu funcionário corre o risco de não mantê–lo. O empregador não precisa, necessariamente, arcar com as despesas do aperfeiçoamento, mas tem de facilitar para que o empregado o faça”, diz. A pessoa passa a se sentir mais valorizada e motivada.
Há empresas de menor porte que não têm condições de manter uma política formal de treinamento, mas deveriam incentivar outras formas de atualização. "É preciso pensar em alternativas para promover o aprimoramento, conta Lizete.
A analista de treinamento do Grupo Vera Cruz de Saúde, Silvânia Martins dos Santos, diz que são feitos vários cursos dentro do horário de trabalho porque há uma preocupação em capacitar os funcionários. “Queremos que o desempenho técnico seja bem realizado para dar segurança e confiabilidade aos pacientes e familiares”, diz Silvânia.
Os técnicos em enfermagem participam de conferências sobre o desenvolvimento humano. Há duas salas para palestras. A equipe percebe o investimento que a instituição faz e as melhorias nos procedimentos, conta a analista. Silvânia lembra que o trabalho em um hospital envolve a vida da pessoa, por isso 6 fundamental haver uma atenção especializada.
Informática
A diretora da Treinar, Marli Pinto, diz que muitos empresários estão preocupados em capacitar seus funcionários. "Cerca de 7596 da procura por nossos cursos é feita por empresas", diz Marli. A Treinar está há onze anos no mercado e oferece cursos de informática para empresas como Mannes-man, Minas Tênis Clube, Tim, Cemig, Telemar, Correios, ABB, Banco do Brasil e Bradesco.
A Associação Profissionalizante do Menor (Asprom) encaminha seus funcionários para fazerem digitação na Treinar. "As empresas podem passar um conteúdo programático para que seja montado um curso específico para seus funcionários”, afirma a coordenadora de cursos Vanessa Peluchi.
Há ainda empresas que se preocupam com a formação pessoal de seus funcionários. É o caso do Centro Ótico. A empresa elegeu o ano de 2003 como o ano do treinamento. Além das especializações oferecidas aos funcionários para garantir qualidade aos produtos, estão sendo realizados programas de valorização do ser humano. Em intervalos de 45 dias, cada um dos 230 funcionários têm duas horas de palestras totalmente fora do universo da empresa.
Temas como auto-estima, nutrição e orçamento doméstico são discutidos no horário de serviço e a presença não é obrigatória. “O curso é rigorosamente igual para qualquer funcionário, independente do cargo, explica a diretora comercial do Centro Ótico, Alessandra Abreu.
Alessandra conta que o objetivo é a valorização pessoal e manutenção de uma boa convivência com as pessoas que passam a maior parte do tempo juntas. “As palestras não são para melhorar a produtividade, mas isso acaba acontecendo” , diz Alessandra. O trabalho costuma ser relacionado ao sofrimento. Ir a luta, ralar, são algumas das expressões usadas para defini-lo. “Um profissional passa muito tempo dentro de uma empresa e por isso é preciso tentar transformar a rotina em prazer”, afirma.
*Jornal “O Tempo” – 27/04/03 |
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