ARTIGO: 2008: o ano que ainda não acabou
Jornal Diário do Comércio - Ederson Passos e Ítalo Coutinho - 16/01/2012
As turbulências vividas em 2008, como a quebra de bancos, desaceleração de investimentos, diminuição do ritmo de crescimento e estagnação econômica em continentes como Europa e Ásia, podem ser impressões passadas, mas existem fortes indicativos de que não escapamos da crise.
Embora o ano de 2011 tenha iniciado sob perspectivas positivas, geradas pelo ótimo desempenho econômico de 2010, a crise das dívidas soberanas nos países da zona do euro, tendo Grécia como protagonista, trouxe preocupação para o mercado.
Em se tratando de dívidas e déficits orçamentários, o cenário mundial também foi afetado por problemas como a falta de medidas rápidas e eficazes pelas autoridades da zona do euro e União Europeia, que não souberam sanar a crise em sua fase inicial.
No caso brasileiro, o aperto monetário iniciado em 2010 representou uma leitura inadequada no segundo semestre de 2011, visto que as autoridades da política econômica voltaram a reduzir a Selic e estimularam o mercado através de incentivos fiscais.
Esse "arrocho" se reflete na necessidade de um planejamento orçamentário correto. O planejamento, juntamente com o controle financeiro, possibilita mudanças para tratar de eventos estranhos ao processo administrativo, colocando em risco o alcance das metas estabelecidas.
A intensa volatilidade, forte estresse dos agentes e os desequilíbrios entre os mercados ditaram o ritmo da segunda metade do ano de 2011. Internamente, o Banco Central ajustava suas expectativas de crescimento e desempenho econômico, seguindo uma linha mais moderada.
O crescimento do setor industrial foi de 3%, enquanto que a demanda por produtos domésticos cresceu quase 25%. Isso demonstra uma alta procura por produtos importados, estrangulando a produção made in Brazil.
A verdade é que o ano de 2011 findou com mais incertezas do que oportunidades, e isso pode ser percebido pelas projeções econômicas já publicadas para o ano de 2012. Para os analistas da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o PIB crescerá cerca de 3,2%, que representa um avanço superior ao do ano passado.
Em relação à taxa de juros, a expectativa é que a Selic feche o ano em torno de 9,5%. Segundo a Frebraban, a inflação seguirá recuando, mas ainda distante do centro da meta, e a taxa de câmbio terá ligeira depreciação.
Já o Banco Central acredita que o crescimento do país seja maior em 2012, ganhando ainda mais força em 2013. Segundo suas projeções, o crescimento da economia deve ficar em torno dos 3,5% e a inflação perto de 4,7%, medido pelo IPCA.
Em suma, essas projeções não devem trazer dúvidas sobre o desempenho brasileiro. Considerando uma economia que vivenciou altas taxas de inflação e obteve um crescimento de menos de 2,5% nas últimas décadas, é razoável considerar animadoras as projeções para 2012. Mas não se pode esquecer que o mundo ainda está em crise...